Uma cidade fundada há 124 anos, que cresceu de forma desordenada e sem planejamento urbano, trouxe como consequência um problema que atormenta, todos os dias, seus moradores: os buracos no asfalto. Atualmente, estima-se que uma a cada três quadras de Bauru esteja com a pavimentação 'vencida', que já receberam a quantidade limite de tapa-buracos e, agora, precisam ser recapeadas.
Porém, as notícias não são boas para quem é obrigado a ziguezaguear para escapar deste 'queijo suíço' viário. Conforme o JC apurou, não há previsão de um centavo sequer no Orçamento do Município para a realização deste serviço em 2021 e, por isso, a prefeitura se vê diante do desafio de dar conta da demanda incessante por tapa-buracos para remediar, de forma paliativa, o problema.
O asfalto é apontado pelos bauruenses como um dos três principais problemas da cidade, conforme revelou pesquisa encomendada pelo Jornal da Cidade e elaborada pela Ágili. Mas, sem recursos em caixa, esta parece ser uma queixa longe de ter uma solução efetiva.
"Chega um momento em que o serviço de tapa-buraco é como pegar um tecido velho, já esgarçado e puído, e fazer um remendo com tecido novo. Os buracos vão voltar a surgir bem onde foi feita a recuperação", comenta uma fonte ouvida pelo JC.
Por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, Suéllen Rosim confirmou não haver disponibilidade orçamentária para recapes neste ano.
Porém, afirma que em 2022 a expectativa é de que "a verba seja um pouco melhor", quando "a prefeitura tentará viabilizar obras com emendas parlamentares e recursos próprios".
INVESTIMENTO
Consultados, especialistas na área estimam que Bauru tenha aproximadamente 18 mil quadras pavimentadas, sendo que 6 mil delas precisam ser recapeadas, serviço que geraria uma despesa de R$ 200 milhões aos cofres municipais. O investimento, contudo, pode chegar a R$ 300 milhões, se o trabalho incluir fresagem para nivelamento da capa asfáltica, o que garantiria maior durabilidade ao recape.
"Um exemplo claro é a avenida Nuno de Assis (recapeada em 2018). Da altura da Nações em direção ao Fórum, foi feita a fresagem antes do recape e o asfalto está em boas condições. É algo que não foi feito do outro lado, no sentido Mary Dota, e o asfalto já tem muitas ondulações", descreve o especialista.
De acordo com ele, a durabilidade de média do serviço é de oito anos para ruas de fluxo intenso e de até 20 anos para vias com menor tráfego, já considerando o tempo limite para realização de tapa-buracos. Porém, uma série de fatores pode encurtar esta vida útil, como vazamentos da rede de água e esgoto - que são outro problema crônico em muitos bairros onde a tubulação é antiga e obsoleta -, ausência de sistema de drenagem nas vias e até mesmo o uso de materiais de baixa qualidade ou serviços executados de maneira inadequada.