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Covid: metade dos pacientes nas UTIs da rede privada tem menos de 60 anos

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Em Bauru, nesta segunda onda da pandemia, houve uma mudança no perfil dos pacientes graves em tratamento nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em dois hospitais particulares do município. Agora, segundo representantes das unidades, metade dos internados desta natureza tem menos de 60 anos, cenário que era incomum durante o primeiro pico do coronavírus na cidade, no ano passado. Para especialistas, esta nova realidade mostra a doença mais agressiva, evoluindo mais rapidamente, o deve preocupar todas as faixas etárias.

Maria Gorete Teixeira Morais, que é médica cardiologista e coordenadora da Unidade de Covid-19 do Hospital Beneficência Portuguesa desde o início da pandemia, afirma que, até dezembro de 2020, eram internados majoritariamente pessoas com idade superior a 60 anos e com comorbidades. "Mas, este ano, percebemos que esses pacientes começaram a ficar cada vez mais jovens e, atualmente, em média, metade do grupo de UTI aqui do hospital tem entre 20 e 50 anos", detalha.

Ela ainda afirma que, no local, operam 18 leitos de UTI voltados para pacientes com coronavírus, sendo que, nesta terça-feira (20), estavam ocupados por 10 pessoas com menos de 60 anos.

Profissionais que atuam na ala de UTIs do Hospital Unimed Bauru (HUB) também perceberam um rejuvenescimento parcial dos internados com coronavírus. "Aumentou o número de pacientes mais jovens que chegam graves, entretanto a maior parte mesmo dos mais jovens tem comorbidades, como diabetes, hipertensão e obesidade. O aumento ocorreu principalmente na faixa entre 30 e 50 anos. Mas o predomínio ainda é de pacientes acima de 50 anos", pondera o médico infectologista Edson Carvalho de Melo, que trabalha no local.

Na segunda-feira (19), nas unidades de terapia intensiva do HUB, tinham seis internados entre 30 e 40 anos, dois entre 41 e 50 anos, três entre 51 e 60 anos, totalizando 11 pacientes com menos de 60 anos, ou seja, mais da metade do grupo de UTI. Por outro lado, eram nove pacientes entre 61 e 90 anos que estavam em tratamento no local, segundo a assessoria de imprensa da empresa.

GRAVIDADE

A médica Maria Gorete Teixeira Morais, porém, pondera que não é possível afirmar se a mudança de padrão dos infectados que precisam de internação em UTI está relacionada às novas cepas da Covid-19, consideradas mais preocupantes, pois não há monitoramento das cepas do vírus que circulam em Bauru.

"O que sabemos é que, nos últimos dois meses, alguma coisa aconteceu e esses pacientes estão sendo acometidos por um vírus diferente, que 'pega' a população abaixo dos 40 anos e traz uma doença bem agressiva. Às vezes, a pessoa nessa faixa etária chega ao hospital e não tem comorbidade, mas a tomografia mostra uma lesão que vai de 50 a 70% no pulmão. Isso chama muita atenção", observa a profissional.

Inclusive, a cardiologista pontua que o fato de os pacientes chegarem aos hospitais com um quadro mais avançado da doença acaba prolongando o período em que permanecem em tratamento. "Além disso, eles têm evoluído para um quadro grave em tempo menor. Antes, pacientes em enfermaria demoravam de dois a três dias para apresentar piora e ir pra UTI. Hoje, percebemos que leva em torno de 24 horas para isso acontecer. É assustador", relata Maria Gorete.

A médica ressalta ainda que, nesta segunda onda da Covid-19, ocorreram mais eventos embólicos nos internados, como miocardite, infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), trombose de membros, entre outros.

CUIDADO

Por fim, para a médica e coordenadora, a principal saída para não desenvolver um quadro grave é, neste momento, evitar a contaminação. "O vírus está próximo. Agora, todos têm um amigo, um familiar, um vizinho, que ficou internado ou morreu de Covid. A gente está diante de uma doença que não tem tratamento efetivo e, por isso, nós não temos como curar os pacientes, só podemos dar suporte para que o próprio indivíduo consiga passar pela infecção".

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