Possuidor de um belíssimo, cobiçado e admirado cão da raça "fila brasileiro", um sábado, e faz muito tempo, dirigi-me à "Casa dos Bandeirantes", onde residiam o doutor Luiz Ferreira Martins e família e que posteriormente virou uma casa noturna de danças, a fim de conhecer o seu enorme, famoso e comentado cachorro da mesma espécie para troca de experiências. Sabia de sua passagem pela FOB como professor titular, diretor e membro do Conselho Estadual de Educação. Naquela época, sendo governador do Estado Paulo Egydio Martins, ele também exercia a função de Coordenador do Ensino Superior do Estado de São Paulo. Período em que, graças a sua visão, inteligência e tirocínio esposou a ideia da necessidade e conveniência do agrupamento dos institutos isolados de ensino superior do estado como Bauru, Assis, Marília, Araçatuba, Araraquara, Franca e outros em uma universidade, nascendo assim a Unesp, da qual ele foi o primeiro reitor.
Quis o destino que nos cruzássemos novamente, ele como secretário da Educação do Estado, eu exercendo um cargo regional na educação. Possuidor de uma rica e significativa bagagem do ensino superior, teve a inteligência de fazer-se cercar de profissionais competentíssimos da nova área para o seu assessoramento. Muito embora veterinário, fato que muitos desconheciam, passou a conhecer com afinco a legislação do ensino fundamental e médio. Discutia de igual para igual e foram memoráveis as reuniões regionais e locais em que ouvia e discutia as reivindicações do magistério conjuntamente com sua assessoria. Sua atuação à frente da Secretaria da Educação foi marcante. Dentre suas primeiras determinações foi a instalação de telefone em todas as escolas estaduais e a abertura de concursos regionais para admissão de serventes às unidades que tinham falta. Como afirma o Eclesiastes, Livro da sabedoria, tudo tem o seu tempo e obviamente deixamos de "estar" e nunca de "ser"; ele como secretário da educação e eu como diretor regional, aposentamo-nos ao mesmo tempo. Tendo ele optado após sua aposentadoria por continuar residindo em Bauru, agora não mais como chefe e subordinado.
Nossa mútua admiração e respeito transformou-se em uma sólida e desinteressada amizade, fato que propiciou-me melhor conhecer e admirá-lo. Sua cultura geral, bondade, humildade e sua personalidade marcante. Uma vez perguntei-lhe o por que de não querer sua reeleição como deputado federal após ter tido e ser eleito por uma expressiva votação. Ele simplesmente respondeu-me "de que não havia gostado do ambiente e que ali não era o lugar dele".
Aquele mesmo tempo que determina o "deixar de estar como" foi minando suas energias, a saúde física passando a curtir a solidão que felizmente não foi total.. Por rarear minhas visitas tratava-me carinhosamente de "fujão". Pelos cargos e funções que ocupou e exerceu ao longo de sua vida profissional e pública, o doutor Luiz, conforme o tratávamos deve ter tido centenas de conhecidos, "amigos" e amigos. Não obstante afirmava conformado de que, após todo o seu percurso de vida restaram-lhe no final do filme quatro amigos em Bauru sobre os quais ele sempre se referia com muito carinho e gratidão. E dos quatro, cada um seguirá o seu próprio caminho até o reencontro cantarolando a belíssima peça musical dos três tenores "Amigos para Sempre".