O número de mortes por Covid-19 caiu pela segunda semana consecutiva em Bauru, porém, nesse mesmo período, houve alta na média de casos. Apesar de apresentarem movimentos distintos, ambos os índices ainda seguem em patamar elevado.
Levantamento do JC, feito com base nos boletins epidemiológicos divulgados diariamente pela prefeitura, contabiliza 37 notificações de óbito na semana entre 19 e 25 de abril deste ano, o que corresponde a uma média móvel de 5,28 mortes por dia.
Na semana anterior, 39 moradores da cidade haviam perdido a batalha para o novo coronavírus (média diária de 5,57 registros). Já entre 5 a 11 de abril, o número chegou a 57, equivalente a uma média móvel de 8,14 óbitos, a mais alta desde o início da pandemia.
E o número de novos casos, agora, também se aproxima do maior pico registrado até o momento. Na semana passada, foram 189,7 notificações diárias, próximo do recorde de 191,6 casos, alcançado na segunda metade de janeiro deste ano. Nas duas semanas anteriores deste mês de abril, as médias foram de 179,7 e 160,4 registros por dia.
Embora considere que qualquer análise sobre tendência seria precoce neste momento, o secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, pondera que a elevação de novos casos gera preocupação. "A gente não sabe como este vírus irá se comportar. Por ordem do governo do Estado, comércio e serviços voltaram a funcionar em uma fase de transição, ainda com restrições, mas não sabemos se esta reabertura trará algum impacto. Estamos acompanhando", observa, reforçando o pedido para que a população use máscara e mantenha o distanciamento social.
Um aspecto que demanda atenção do poder público, nas três instâncias de governo, é que o novo aumento do número de casos de Covid-19 ocorre em um momento em que as UTIs disponíveis na rede pública de Bauru operam no limite da capacidade ou acima dele. A UTI do hospital de campanha, que conta com 10 leitos e foi inaugurada há pouco mais de dez dias, chegou, inclusive, a 100% de ocupação nesta segunda-feira (leia mais abaixo).
SEM FILA
Já a UTI do Hospital Estadual, com 60 leitos, ficou 59 dias funcionando com 100% de sua capacidade ou acima disso. No sábado (24), o índice recuou para 98%, porém, no domingo e na segunda, já voltou ao patamar acima de 100% novamente. Como medida de comparação, nesta segunda, a média de ocupação do Estado, que apresenta tendência de queda, era de 80,4%.
"Contudo, nossas UPAs não têm mais nenhum paciente de Covid-19 esperando vaga para os hospitais ou para o PAC (Posto Avançado Covid-19). E também não temos mais nenhum paciente com necessidade de transferência para internação em outras cidades. Era uma situação complicada que conseguimos resolver", pondera o secretário de Saúde, acrescentando que a disponibilidade de vagas hospitalares é constantemente monitorada.
Ele atribui o fim da fila de espera por vagas hospitalares à expansão dos leitos de UTI no hospital de campanha, viabilizada com participação do município, e lembra que o 'mini hospital', criado a partir da junção do PAC com o Pronto-Socorro Central (PSC), também é capaz de atender pacientes graves, desde que não precisem de hemodiálise.
"E vale lembrar que o Hospital Estadual não tem só pacientes de Bauru", acrescenta. Nesta segunda, a UTI da unidade abrigava 34 pacientes do município e 27 de outras cidades. No total, somando os dez internados no hospital de campanha, 44 bauruenses estavam em UTIs públicas em tratamento contra a Covid-19.