Cultura

'Radioactive': filme que agrada e irrita

FolhaPress
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"Radioactive", filme sobre a vida e a obra da cientista Marie Curie, que está na Netflix, é o tipo de cinebiografia que fascina e irrita o espectador em proporções quase idênticas. Quando todos os elementos são postos na balança, o saldo acaba sendo positivo - por pouco.

Para quem já sabe uma coisa ou outra sobre a trajetória de Curie, talvez o maior problema seja a gana de temperar com toneladas de dramaticidade uma vida que já é suficientemente extraordinária. Nascida na Polônia, Curie passou anos lutando para se sustentar como estudante pobre em Paris até iniciar uma carreira científica de impacto.

Ao lado do marido, Pierre, identificou novos elementos químicos, como o polônio e o rádio, e lançou as bases para a compreensão do fenômeno da radioatividade. A pesquisadora foi a primeira mulher a ganhar o Nobel e uma das raríssimas pessoas a receber a láurea duas vezes. Isso não impediu que ela fosse alvo de machismo, xenofobia e racismo em seu país adotivo.

É claro que tudo é facilitado pelo fato de que a radioatividade tem apelo dramático. A ciência básica estudada pela família Curie desembocou tanto em Hiroshima e Chernobyl quanto em tratamentos contra o câncer.

Entender como o mundo funciona o muda das maneiras mais imprevisíveis. Essa "lei das consequências não pretendidas" é resumida de maneira magistral numa das falas de Pierre Curie. "Você jogou uma pedra na água", diz ele à mulher. "Não cabe a você controlar as ondas que vão se formar a partir disso."

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