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Covid-19 interrompe 33 anos de feira: Lúcia perde a luta sete dias após a mãe

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Foi em feiras de Bauru que Lúcia de Fátima Colombini passou grande parte dos seus dias durante 33 anos, vendendo roupas e lutando para criar seus dois filhos. Porém, no dia 11 de abril, ela perdeu a batalha para as complicações da Covid-19. Morreu aos 64 anos, em um hospital particular da cidade. E neste mesmo hospital, uma semana antes, a feirante acompanhou a partida da mãe Maria Lucia Bueno Colombini, 92 anos, também acometida pelo coronavírus. Casos de famílias devastadas pela doença, que choram a morte de mais de um ente, tornaram-se ainda mais frequentes durante a segunda onda da pandemia, não só em Bauru como em toda a região.

Quem conta a dolorosa história dos Colombini é a fisioterapeuta Daiana Colombini Siqueira, filha de Lúcia e neta de Maria Lucia. "Nós todos tivemos Covid, com sintomas leves, mas fizemos o tratamento e melhoramos. Porém, depois de uns dias, a minha saturação, da minha avó e minha mãe passou a oscilar e, entre idas e vindas do hospital, ficamos internadas porque não estabilizou mais", detalha.

A feirante foi internada em 28 de março, foi intubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morreu 14 dias depois. Já a mãe dela foi internada em 26 de março e faleceu no dia 4 de abril. "Foi mesmo uma tragédia na família. Uma tristeza. Tudo aconteceu rápido e de repente", relata Daiane.

SEM TRÉGUA

Durante 33 anos, Lúcia trabalhou, todos os dias da semana, em feiras que ocorrem em diferentes bairros da cidade. Em todo este tempo, ficou conhecida pelas roupas de qualidade que comercializava, voltadas para público adulto. "Ela foi uma guerreira de sobreviver tanto tempo na feira. Sob sol ou sob chuva, ela nunca faltou um dia sequer. Era uma mulher que sempre lutou para dar o melhor para os filhos. Eu devo tudo à ela", diz Daiana, emocionada.

A fisioterapeuta ainda ressalta que vai assumir a banca da mãe por um tempo para quitar os compromissos que ela ainda tinha e 'fechar o negócio com honra'.

LUCIDEZ

Já Maria Lucia é descrita como uma mulher lúcida, que tinha um coração bom e espírito livre. "Mesmo com 92 anos, ela fazia 15 minutos de bicicleta ergométrica todos os dias. Ela estava tão lúcida que pediu que eu levasse uns cadernos de caça-palavras para ela brincar no hospital. Sempre dizia 'a vida é bela' com um sorriso no rosto, sempre grata à vida. É assim que eu quero que ela seja lembrada", retrata a neta.

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