Saúde

Crianças estão cada vez mais 'sufocadas'


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Após 13 meses de pandemia e, consequentemente, de maior conviência familiar, as crianças que convivem com fumantes estão ficando cada vez mais "sufocadas" dentro de casa. Em muitas cidades do Rio de Janeiro e do Brasil, as aulas presenciais ainda não voltaram devido ao agravamento da crise sanitária. Por isso, respirar sem a impureza do cigarro continua sendo raro para os pequenos nesta condição.

Segundo alerta o Ministério da Saúde, quem está por perto apenas inalando a fumaça do ambiente também compartilha dos riscos de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo, incluindo câncer de pulmão e problemas cardiovasculares: "E no ambiente doméstico, essa exposição pode ser inevitável para os pequenos. Especialmente durante a pandemia de Covid-19, que aumenta o tempo de convivência entre familiares".

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, bebês e crianças são ainda mais suscetíveis ao tabagismo passivo, isso porque o fumante pode ser um dos pais ou responsáveis, e por elas serem impotentes diante da situação.

Um artigo da Sociedade Brasileira de Pediadria (SBP) também mostra que o desenvolvimento incompleto do aparelho respiratório e a relação entre o volume de substâncias tóxicas inaladas e o peso da criança tornam a exposição ao cigarro ainda mais maléfica durante esta fase da vida.

O aumento da exposição da criança à fumaça durante a pandemia não se deve apenas ao fato de estarem mais tempo com os pais em casa. Os próprios responsáveis que já tinham o hábito de fumar aumentaram o consumo na quarentena. Segundo pesquisa recente da Fiocruz, Segundo pesquisa da Fiocruz, 34% dos fumantes brasileiros declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia. Este crescimento, ainda segundo o estudo, está associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas, com piora de quadros de depressão, ansiedade e insônia.

Além disso, crianças que crescem ao lado de adultos fumantes têm mais risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo se elas próprias não fumarem na vida futura, de acordo com uma pesquisa da Sociedade Americana do Câncer.

"A exposição à fumaça do cigarro na infância, por dez horas ou mais por semana, aumentou o risco de morte na vida adulta por doença pulmonar obstrutiva crônica em 42%, doença cardíaca isquêmica em 27%, e acidente vascular cerebral em 23%, em comparação com aqueles que não conviveram com fumantes quando crianças", afirma Ryan Diver, um dos autores do estudo.

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