Brasília - No primeiro dia de depoimentos na CPI da Covid, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contrariou orientações do Ministério da Saúde baseadas na ciência para o combate à pandemia do coronavírus.
Avaliou também que o mandatário adotou discurso negacionista que pode ter contribuído para espalhar mais rapidamente a Covid-19.
O ex-ministro contou que chegou a escrever uma carta ao presidente em defesa do isolamento, que foi entregue em uma reunião com outros ministros no Palácio da Alvorada.
CLOROQUINA
O ex-ministro relatou que foi chamado ao Palácio do Planalto, onde apresentaram uma sugestão de decreto para alterar a bula da cloroquina e incluir entre suas recomendações o uso para o tratamento da Covid-19.
Nesta terça, ele usou o exemplo para mostrar que havia outras pessoas aconselhando Bolsonaro sobre a pandemia. "Ele tinha um assessoramento paralelo", afirmou Mandetta, sem definir quem assessorava o presidente.
Mandetta também contou que o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, participava de reuniões para tratar das medidas de combate ao coronavírus.
Já os senadores governistas adotaram estratégia para tentar apontar que o ex-auxiliar de Bolsonaro havia dado recomendação "equivocada" à população.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) perguntou se Mandetta receitou, em março do ano passado, "chá, canja de galinha e reza contra o novo coronavírus".
AVALIAÇÃO
Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) classificou o depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à comissão como "produtivo e além da expectativa". "Foi recheado de informações. Presença de Mandetta vai ajudar muito para que possamos aprofundar toda a investigação", disse Renan em coletiva à imprensa após o encerramento da sessão.
MUDANÇAS
O relator afirmou ainda acreditar que o depoimento de Nelson Teich, segundo titular da Saúde no governo Bolsonaro, também será "além da expectativa". A oitiva de Teich foi remarcada para esta quarta-feira, 5, após a mudança de data do depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que pediu que o dia do seu depoimento fosse alterado após ter tido contato com dois servidores que testaram positivo para a covid-19. A outra alternativa era falar à comissão remotamente. Os senadores optaram por remarcar sua presença para o dia 19 de maio.
O senador Randolfe Rodrigues também pediu que o ministro da Economia, Paulo Guedes, seja chamado para depor.