Brasília - O presidente Jair Bolsonaro disparou nesta quarta-feira (5) ameaças ao STF (Supremo Tribunal Federal).
O presidente fez as declarações em evento promovido pelo ministério das Comunicações, no Palácio do Planalto. "Nas ruas já se começa a pedir que o governo baixe um decreto. Se eu baixar um decreto, vai ser cumprido, não será contestado por nenhum tribunal", declarou Bolsonaro, renovando as ameaças de publicar uma norma para impedir que gestores locais fechem o comércio ou limitem a atividade econômica durante a crise sanitária.
PREOCUPAÇÃO
Em outro trecho do discurso, ainda em um recado ao STF, Bolsonaro emendou: "Não ouse contestar [o decreto], quem quer que seja. Sei que o Legislativo não contestará".
Há meses Bolsonaro se mantém em conflito com o Supremo em relação às medidas tomadas em meio à pandemia.
Desde o início da crise, o STF tem imposto derrotas ao presidente, que, em declarações, testa os limites da corte.
Em meio às derrotas, Bolsonaro repete a ameaça de "baixar um decreto" para que a população volte ao trabalho. Recentemente, ele disse que poderia determinar ao Exército que fosse às ruas para garantir o funcionamento de atividades econômicas, mesmo contra normas estaduais e locais.
Ele também já criou a campanha "O Brasil não pode parar", que foi proibida pelo STF por colocar a população em risco. No discurso desta quarta, Bolsonaro defendeu um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), citado na véspera por Mandetta como participante de reuniões no Planalto sobre a pandemia.
"Não têm do que nos acusar, é o gabinete da liberdade, da seriedade", disse, mencionando também seu assessor especial Tércio Arnaud, que também atua na estratégia do presidente nas redes sociais.
VINDO DA RÚSSIA
De noite, o presidente foi Galeão, no Rio de Janeiro, para receber o motorista Robson Nascimento de Oliveira, que ficou mais de dois anos preso na Rússia após ingressar no país com um medicamento proibido. O retorno do motorista foi anunciado pelo presidente no fim de semana . Oliveira trabalhava para o jogador Fernando, na época integrante do Spartak Moscou, atualmente jogador do Beijing Guoan, da China. Ele foi preso no dia 17 de março de 2019 ao entrar na Rússia com caixas do medicamento Mytedon (cloridrato de metadona). O remédio é usado no alívio da dor aguda e legalizado no Brasil, mas proibido lá. Essa semana, o presidente russo Vladimir Putin assinou o indulto de Robson, confirmando o perdão da condenação que ele recebeu da Justiça da Rússia, e ele finalmente pôde sair da prisão em Moscou.