Idealizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e aprovada pelos dirigentes que comandam os clubes de São Paulo, com aval dos próprios jogadores, a intensa rotina de cumprir partidas oficiais em curtos períodos de tempo já provoca reclamação dos treinadores dos grandes clubes. Em alguns casos, essa insatisfação tem uma relação direta com tropeços ou campanhas ruins, mas o fato é que, com essa avalanche de confrontos, os atletas começam a acusar desgaste físico e o risco de baixas no elenco se torna mais evidente.
Após o empate diante do Racing, na quarta-feira (5), pela Libertadores, o técnico são-paulino Hernán Crespo decidiu se manifestar sobre a maratona de partidas. A FPF diz que o Campeonato Paulista tem de acabar no próximo dia 23. "Estou muito preocupado com o calendário. Representamos a Federação Paulista e a Confederação Brasileira de Futebol. A federação é que decide o calendário estadual, mas é importante que se comece a pensar em seus representantes na Copa Libertadores também", cobrou o treinador.
Outro profissional de São Paulo que deixou claro o seu descontentamento foi o técnico português Abel Ferreira, do Palmeiras. Líder do Grupo A, com 100% de aproveitamento nos três jogos da Libertadores, o time paulista enfrenta dificuldade para se classificar ao mata-mata do torneio estadual.
"Quando a própria organização (FPF) não quer saber do Paulista, nós vamos ter de priorizar a Libertadores. Vamos fazer nosso melhor no Estadual. Se der para ganhar, ganhamos. Se não der, seguimos em frente como vamos fazendo, dando nosso melhor a cada jogo. Temos 24 horas para preparar cada partida", disse o português. "Nós não controlamos a pandemia. Não temos culpa de ter de fazer dois jogos a cada três dias", desabou o técnico.
Mas se a reclamação dos treinadores se justifica, vale lembrar também que tudo foi definido e aprovado com a retomada dos jogos após a paralisação em função da pandemia. Representantes da FPF, como o ex-jogador Mauro Silva, conversaram com os líderes dos times em São Paulo e eles toparam a maratona. Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo (Sapesp), afirmou que os jogadores foram consultados sobre o calendário e concordaram em participar. A conta parece alta.
Também exposto a essa maratona de partidas, o Corinthians sofreu oscilações. Classificado às quartas de final do Estadual, o time do técnico Vagner Mancini corre o risco de cair na fase de grupos da Copa Sul-Americana. "Temos de recorrer ao rodízio de jogadores em função das competições. Não tem outro jeito", disse o treinador, que tem usado muitos garotos da base porque também os veteranos não estão dando conta de jogar bem.
O Santos foi eliminado no Paulistão e corre perigo na Libertadores. O baixo rendimento custou até a saída do técnico argentino Ariel Holan, que pediu demissão após derrota para o Corinthians na Vila Belmiro. Quem teve a tarefa de conduzir a equipe diante desse cenário foi o interino Marcelo Fernandes (Fernando Diniz foi contratado nesta quinta-feira [5]). "Os jogadores sabem da dificuldade e em um momento como esse temos de buscar a superação", disse Marcelo Fernandes.