De acordo com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF (Universidade Federal Fluminense), que possui uma base de dados iniciada em 1989, nunca houve uma ação única com essa quantidade de óbitos. O maior total recente ocorreu no Complexo do Alemão em 2007, com 19 vítimas.
"Esse número de mortes só se compara às chacinas de Vigário Geral [21 mortos, em 1993] e da Baixada [Fluminense em 2005, com 29 mortos], mas provocadas em operações extralegais. É preciso responsabilizar os agentes políticos responsáveis por essa ação", afirma o coordenador do grupo, Daniel Hirata.
Tanto a chacina de Vigário como a da Baixada foram provocadas por policiais. Contudo, a atuação deles foi clandestina, como parte da ação de grupos de extermínio, e não numa operação oficial como a desta quinta.
Desde o início da manhã, moradores relatam intensos tiroteios e veículos blindados e helicópteros da corporação transitando pela favela, que é plana e é tida pela polícia como um dos principais locais de atuação da facção criminosa Comando Vermelho.
Um dos 25 mortos foi o policial civil André Frias, 45, que trabalhava na Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) e chegou a ser levado para o Hospital Municipal Salgado Filho ao ser atingido na cabeça, mas não resistiu.
Vítimas no Metrô
A Secretaria Municipal de Saúde também confirmou ao menos outras três pessoas feridas. Uma, não identificada, segue internada em quadro estável. O segundo, Rafael Moreira, 33, deixou a unidade por conta própria. O terceiro, Humberto Gomes Duarte, 20, também está estável no Hospital Municipal Souza Aguiar.
Os dois últimos estavam dentro de um vagão do metrô que passava pela altura da estação de Triagem, em Benfica, bairro próximo, quando um projétil atingiu um vidro da composição. Segundo o MetrôRio, um foi atingido por estilhaços de vidro e o outro, de raspão no braço.