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Para Renan, Pazuello pretende evitar CPI

Estadão Conteúdo
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Brasília - O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, disse neste sábado (8), que o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello usa o Exército como "biombo" para não depor à comissão. Pazuello iria falar à CPI nesta semana, mas seu depoimento foi adiado para 19 de maio ao informar que teria tido contato com duas pessoas infectadas com Covid-19.

Calheiros reforçou ainda que, neste momento inicial dos trabalhos da CPI, o ex-ministro irá falar à comissão na condição de testemunha, e não como investigado. Ele lembrou que investigados, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), teriam direito a recorrer ao silêncio durante o depoimento.

Calheiros disse também que o ministro da Justiça, Anderson Torres, será chamado a depor, principalmente em razão das declarações dadas em entrevista à revista Veja, na qual afirmou que iria pedir à Polícia Federal para obter dados sobre a destinação de recursos federais contra a covid-19 nos Estados. Para o relator, o que foi dito deveria ser "impublicável" num Estado Democrático de Direito. "Admitir utilizar a Polícia Federal como polícia política, isso não pode acontecer. E um ministro da Justiça não deveria ousar tanto", disse o senador.

Calheiros disse também que "várias narrativas" que foram impostas à CPI já se esvaziaram, como a de que os senadores iriam investigar os militares e buscariam "ampliar o desgaste" do presidente Jair Bolsonaro e de sua família. Por isso, o relator defendeu que, por enquanto, os filhos do presidente não sejam convocados a depor.

Bolsonaro voltou a criticar a CPI neste sábado e se referiu ao colegiado do Congresso como um "vexame". A apoiadores, o presidente também defendeu o uso da cloroquina no tratamento contra o coronavírus e afirmou que irá fazer um vídeo nesta semana com seus ministros falando se tomaram ou não o medicamento, que não tem eficácia comprovada contra a doença.

Em sua primeira semana de trabalho, os depoimentos prestados à CPI tiveram como foco o "tratamento precoce". Aos senadores, os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich relataram a pressão do chefe do Executivo para que o Ministério da Saúde defendesse o tratamento. Já o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, evitou se comprometer.

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