Avaré - Menos de uma semana após anunciar a suspensão dos atendimentos a pacientes da cidade e região por falta de medicamentos e insumos, a Santa Casa de Avaré recuou e decidiu retomar os procedimentos. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (10) pelo Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6). A reportagem tentou contato com o hospital, por telefone e e-mail, mas nenhum responsável foi localizado.
A decisão da Santa Casa gerou reações na região. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) divulgou nota demonstrando preocupação com a possibilidade da procura dos moradores de Avaré por atendimento no complexo hospitalar comprometer o serviço oferecido pela unidade.
"Frente ao ofício datado de quatro de maio e divulgado pela Santa Casa de Avaré comunicando a suspensão do atendimento pelo SUS de pacientes da cidade e de todo o Vale do Jurumirim por falta de medicamentos para situações de urgência e emergência, destacamos nossa surpresa, indignação e preocupação", declarou.
"Surpresa porque não fomos comunicados de modo antecipado de importante decisão e indignação pois fomos informados pela imprensa e população de que os pacientes dessa região estavam sendo orientados a procurar o PS Referenciado do HC para qualquer patologia, independentemente de sua gravidade".
O HC ressaltou que todos os hospitais públicos de referência para Covid-19 do DRS-6 estão passando pelos mesmos problemas, mas recorrendo a estratégias, como o uso alternativo de outros medicamentos do kit intubação e contatos com distribuidores para garantir oferta de quantidades mínimas de remédios.
"Atualmente, o HCFMB passa por um momento de superlotação extrema de todo o seu complexo, seja nas unidades de urgência e emergência, seja nas unidades de internação (enfermarias e UTIs) e, por isso, precisamos de todo o apoio da rede hospitalar regional, inclusive da Santa Casa de Avaré", ressaltou.
ESTADO
Também em nota, o DRS-6 de Bauru informou que foi comunicado pela Santa Casa de Avaré sobre a retomada dos atendimentos após aquisição de medicamentos de intubação. "O DRS monitora o consumo de medicamentos para intubação e mantém diálogo com gestores a fim de auxiliar no monitoramento da rede regional e definição de estratégias assistenciais. Nesse sentido, foram enviados mais de 1,2 mil itens de medicamentos de intubação à entidade entre março e abril", declara.
A pasta reforçou recomendação do uso racional destes insumos devido à escassez nacional, orientando a "priorização do uso conforme a necessidade dos pacientes e indicação médica". "O Governo Federal tem cedido baixos quantitativos dos medicamentos para intubação ao Estado de São Paulo e a Secretaria segue cobrando providências e informando diariamente o status de consumo. Além disso, estão em andamento trâmites para compra emergencial de mais remédios do tipo", afirmou.