Polícia

Pai é morto por filhos, que alegam tentativa de defender mãe de agressão

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Na noite do último sábado (8), em uma casa no Jardim Estoril, dois irmãos bateram no pai, de 65 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu. Os investigados declararam em boletim de ocorrência (BO) registrado na Polícia Civil e também contaram à reportagem do JC que tentavam defender a mãe, de 66 anos, das agressões desferidas pelo marido, Jayme Tavares Júnior. Os filhos Jayme Tavares Neto, de 44 anos, e Ricardo de Oliveira Tavares, de 31, chegaram a ser detidos, mas, após audiência de custódia, foram soltos para responder em liberdade por lesão corporal seguida de morte.

De acordo com o BO, a Polícia Militar (PM) foi acionada para uma ocorrência de desinteligência entre familiares, por volta das 20h30. Quando a equipe chegou no local, encontrou o Resgate do Corpo de Bombeiros já levando Jayme Júnior para o Pronto-Socorro Central (PSC). Ele não resistiu e morreu na unidade hospitalar.

À PM e à Polícia Civil, ainda segundo o BO, os irmãos disseram que brigaram com o pai e bateram nele com o intuito de impedir a agressão física à mãe e para que não ocorressem ataques a outros familiares.

Diante dos relatos, Jayme Neto e Ricardo foram presos em flagrante por lesão corporal seguida de morte, mas, após passarem por audiência de custódia no domingo (9), a Justiça determinou que os dois responderão ao inquérito em liberdade.

Agora, a Polícia Civil aguarda o laudo de necrópsia, feito pelo IML, para determinar a causa da morte da vítima.

'SEM INTENÇÃO'

Em entrevista ao JC por ligação telefônica, Ricardo de Oliveira Tavares, que também disse falar em nome de Jayme Tavares Neto, contou que eles e os pais moravam juntos na casa em que a briga ocorreu. "Naquele dia, estávamos jantando, quando ele (o pai) começou a agredir minha mãe com palavras. Pedimos para ele se acalmar, não falar daquele jeito com ela. Mas ele ficou mais nervoso e levantou dizendo que 'ninguém mandava nele', e deu um soco na minha mãe. Eu e meu irmão levantamos para defender ela e tudo aconteceu", narra.

Ricardo ainda diz que, no início da discussão, chamaram a PM para que eles vissem os ferimentos da mãe e levassem o pai até a delegacia, com o objetivo de encerrar a situação. "Mas, não deu tempo. As pessoas que conheciam meu pai sabem que ele tinha um temperamento violento. Ficamos chocados, porque nunca tivemos a intenção de matar ele. A gente só não queria que ele fizesse de novo com a minha mãe o que sempre fez. Ela já está com 66 anos para voltar a apanhar", detalha, declarando que a mãe tinha medo do marido por conta das agressões verbais e físicas que sofria com frequência.

Para reforçar que não tinha a intenção de matar o pai, Ricardo afirma que, quando o homem caiu, acionou o resgate do Corpo de Bombeiros em seguida e até ajudou a mover os móveis para que a maca pudesse passar. "A sensação é que nós morremos junto", disse.

Também em entrevista ao JC, Renata Lucy Tavares, de 42 anos, filha de Jayme Júnior e irmã dos investigados, relata que viveu 'uma vida de ameaças' e 'acuada o tempo todo'. "Foi pura defesa dos meus irmãos para defender minha mãe, porque [as agressões] não começaram neste final de semana. Sempre ocorreram. Meu pai era muito agressivo e eu tinha muito medo dele. Mas está sendo tudo muito difícil. Eu amava muito meu pai, mas era um amor consciente de tudo o que ele já fez com minha mãe e comigo durante a vida", pondera.

Renata também afirma que Jayme Júnior não tinha contato frequente com outros familiares, como irmãos, tios e sobrinhos, justamente por conta do temperamento. E que eles, inclusive, não foram ao enterro dele por conta dessa distância.

 

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