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Na luta pelo ouro, atletas de judô terão consultoria de cientistas da USP

David Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Quebra de recordes, atletas com melhor desempenho e maior paridade entre os competidores. A união entre ciência e esporte tem possibilitado a evolução de diversas modalidades, como atletismo, futebol e artes marciais. O Club Athletico Paulistano, na capital paulista, firmou convênio com a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP para que pesquisadores e estudantes possam contribuir na preparação de seus atletas profissionais através de análises e estudos biomecânicos, metabólicos e psicológicos. Estas informações foram retiradas do Jornal da USP.

O acordo é semelhante a uma consultoria técnica periódica. Os atletas da equipe vão a Ribeirão Preto e passam por bateria de testes, como a análise da composição corporal , força muscular, metabolismo energético e condição psicológica. Os resultados são enviados à comissão técnica juntamente com sugestões de treinos específicos individualizados.

“Com essa parceria será possível o estabelecimento de uma atmosfera saudável e duradoura de retroalimentação, ou seja, os problemas práticos poderão ser investigados e solucionados com a utilização do método científico”, afirma Cristiano Barreira, professor e diretor da EEFERP.

INSPIRAÇÃO INTERNACIONAL 

Apesar de não serem tão comuns no Brasil, parcerias entre institutos de pesquisa e equipes esportivas são tradicionais em diversos países. Segundo o diretor, uma das inspirações para o acordo é a relação de sucesso entre a Universidade de Copenhague e a Federação de Esportes de Inverno da Dinamarca.

“Todo o processo de preparação dos atletas da seleção dinamarquesa de esportes de inverno é monitorado pelos pesquisadores da universidade, que fornecem subsídios para o direcionamento do treinamento e compreensão dos resultados obtidos”, lembra.

De acordo com Barreira, o conhecimento desenvolvido pelo convênio pode contribuir com a evolução de toda a modalidade do judô. “Haverá a possibilidade de produção de conhecimento acerca dos elementos determinantes para o desempenho e sucesso esportivo dos atletas, o que se reverte em disseminação do conhecimento por meio de produção científica e formação de mão de obra especializada para atuação no ensino superior e no âmbito esportivo.”

O Paulistano conta com diversos atletas nas seleções de base do Brasil e outros em transição para a equipe principal. Douglas Vieira prevê que muitos integrem a Seleção Brasileira de Judô em 2024.

Um dos idealizadores do convênio, o professor Tito Bonagamba, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, afirma que a expectativa é colaborar com a Seleção Brasileira de Judô. “Esperamos poder contribuir, mesmo que minimamente, para uma parte da bonita história olímpica do judô brasileiro”, enfatiza.

DA USP PARA O PÓDIO OLÍMPICO

Ingressante na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) em 1981, Douglas Vieira foi campeão paulista e brasileiro de judô. Três anos depois, o jovem de 24 anos foi convocado para disputar os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Até então, o Brasil tinha apenas um medalhista olímpico, Chiaki Ishii, que havia conquistado o bronze em Munique, 1972.

Após vencer quatro lutas, Douglas alcançou um feito inédito: se tornou o primeiro finalista olímpico do judô brasileiro. Em sua final, foi derrotado pelo sul-coreano Ha Hyeong-Ju e ficou com a medalha de prata.

Atualmente, o judô é o esporte individual que mais deu medalhas olímpicas para o Brasil. De acordo com a Confederação Brasileira de Judô, são 22, sendo 4 ouros, três pratas e 15 bronzes.

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