Brasília - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 do Senado, Omar Aziz (PSD-AM), em resposta a um seguidor no Twitter, garantiu que "essa comissão não vai terminar em pizza".
"Não amigo. Temos responsabilidade. Estou sendo justo. Garanto a você e seus seguidores que essa comissão não vai terminar em pizza", escreveu o senador, quando questionado se estaria se "metamorfoseando" em um apoiador do presidente Jair Bolsonaro.
Nesta quarta-feira (12) o presidente do colegiado se recusou a decretar a prisão do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, por virtual mentira à Comissão sob juramento. "Não tomarei essa decisão. Eu tenho tomado decisões aqui muito equilibradas até o momento, mas eu ser carcereiro de alguém, não", disse o senador.
CLIMA QUENTE
Foi um modo de ele colocar panos quentes no clima tenso desta quarta-feira na CPI da Covid, no Congresso, que investiga omissões governamentais na condução do combate à pandemia. Isso porque membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado voltaram a sugerir ontem que o ex-secretário de Comunicação e empresário Fabio Wajngarten seja preso pelas declarações que foram dadas ao comitê. Entre eles, o relator do colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL), cobrou para que o ex-secretário seja detido por contar inverdades à comissão.
"Vossa Excelência, mais uma vez mente. Mentiu diante dos áudios publicados, mentiu por mudar a versão (leia ao lado) com relação à entrevista que deu e continua mentindo", disse Calheiros a Wajngarten. "Diante do flagrante evidente, vou pedir a prisão de vossa senhoria".
Em resposta, Aziz disse que não tomaria a decisão de prender ou não Wajngarten e que a escolha caberia a outros órgãos. "Sou democrata. Se ele mentiu, temos como pedir indiciamento dele, mandar para o Ministério Público para ele ser preso, mas não por mim. Só depois que ele for julgado, e aqui não é tribunal de julgamento", disse o presidente da CPI.
O CASO
Conforme Aziz, o depoimento de Wajngarten trouxe novas informações como as informações de que metade da cúpula do governo sabia desde 12 de setembro que a farmacêutica Pfizer estava oferecendo vacina para o Brasil. A carta do CEO da Pfizer enviada ao presidente Jair Bolsonaro em setembro do ano passado também foi endereçada ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, ao então ministro da Casa Civil (hoje Defesa), Walter Braga Netto, ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao Embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Nestor Foster.