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Gestão pública e o DAE, hora de novas alternativas

Arnaldo Ribeiro
| Tempo de leitura: 2 min

O DAE paga por ano algo entre 25 e 30 milhões de reais com consumo de energia elétrica ano. É, sem dúvida, um dos maiores clientes da CPFL em Bauru e no Estado. Claro, usa dinheiro público para isso, lembrando que de cada 2 litros de água que o DAE produz um se perde, e também a tão esperada troca de hidrômetros só será inicializada parcialmente no próximo ano. É hora de reflexão e ação.

Quando se trata de uma conta desse tamanho, buscar formas de reduzir o gasto é uma atitude de bom senso e respeito aos recursos públicos. Ao que consta, o DAE nunca buscou novas alternativas, o mundo mudou, e hoje existem outras formas de comprar a energia no mercado que certamente valem um estudo mais aprofundado. No Brasil há um mercado livre de energia que fechou o primeiro trimestre com 8.978 consumidores, aumentando 20% na comparação ao mesmo período de 2020. É um mercado em crescimento e certamente irá crescer ainda mais. Funciona assim: empresas de "trading" de energia, que especulam o preço da commodity e atuam como intermediárias, compram a energia das grandes companhias elétricas com o preço em baixa, em uma espécie de contrato futuro.

Quando há um aumento no preço da energia, esses megawatts adquiridos previamente são revendidos a terceiros, garantindo o lucro da empresa e, mesmo assim, gerando economia para o comprador, que paga menos do que pagaria para a distribuidora, é claro que existem outras particularidades, mas que certamente merecem serem avaliadas e questionadas.

Voltando para a nossa realidade, cerca de 22% do orçamento anual do DAE é voltado para pagar as contas com a CPFL. Então, por que não começar a discutir como economizar e, inclusive, repassar essa economia para a população. A água é mais do que um bem de consumo, é uma necessidade para a vida humana e tem que ser tratada como um direito de todos os cidadãos. Vivemos hoje um aumento de pobreza, e não sabemos exatamente como será a realidade ao fim da pandemia. É uma obrigação da gestão pública pensar em formas de aliviar a carga sobre a população mais desprovida, a fim de garantir (no mínimo) condições básicas e uma melhor resposta ao serviço oferecido.

Certamente o momento é esse, para avaliar, consultar e buscar um melhor resultado na administração pública, "fica a dica", pois se buscamos resultados diferentes, nossas atitudes necessitam fazer a diferença.

O autor é contador/jornalista, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Bauru, acadêmico de Gestão Pública.

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