O São Paulo encara "vários adversários" na partida desta sexta-feira (14), às 21h30, pelas quartas de final do Campeonato Paulista, no Morumbi. Dentro de campo, o rival é a Ferroviária, dona da quarta melhor campanha na classificação geral. O time tricolor também enfrenta a pressão do favoritismo, pois fez a melhor campanha da fase de grupos e joga no Morumbi. Além disso, o elenco joga com o peso emocional de um jejum de 16 anos sem título paulista. A última conquista do clube foi a Copa Sul-Americana, em 2012.
Por ter feito a melhor campanha, o São Paulo tem apenas como vantagem o fato de fazer o jogo - único - em casa. Se a partida terminar empatada, a definição do semifinalista é nos pênaltis. A Ferroviária não perdeu nos últimos cinco jogos.
Se passar pela Ferroviária, o São Paulo enfrentará o Mirassol na semifinal, possivelmente no domingo (16), outra vez em casa. Os enfrentamentos são definidos pelas campanhas desde a primeira fase. O time do Morumbi manterá a maior pontuação; o Mirassol terá o pior desempenho entre os semifinalistas. O Corinthians já está classificado.
A obsessão são-paulina pelo torneio estadual orientou o planejamento do técnico Hernán Crespo nesta semana. Com o aval dos diretores, o argentino poupou dez dos 11 titulares no empate em 1 a 1 de quarta-feira (12), em Montevidéu, diante do Rentistas, pela Libertadores. Isso significa que o time titular está descansado, o que aumenta o peso do favoritismo.
Na entrevista após o jogo do Uruguai, Crespo foi questionado sobre uma eventual intervenção de diretores em seu trabalho. E foi sucinto. "A situação é muito clara no São Paulo. A diretoria se dedica a escolher os treinadores, o treinador a escolher os jogadores, e os jogadores de jogar", disse o treinador.
O motivo de tanta pressão é o fato de que o último título estadual foi conquistado há 16 anos, em 2005. A única vez que o São Paulo ficou tanto tempo sem conquistar um título foi de 1957 a 1970, período em que foi construído o Morumbi e o clube injetou todas as suas economias na obra de seu estádio.
O plano de escalar força máxima, no entanto, foi frustrado pelas dificuldades impostas pela maratona de jogos. Crespo não deverá contar com Daniel Alves, Luciano e Eder, que passaram a semana toda em tratamento por problemas musculares sofridos há uma semana, no jogo contra o Racing, na Argentina. Deles, só Luciano participou de parte das atividades de campo nesta quinta (13), quando os jogadores do São Paulo se representaram após o empate no Uruguai. O atacante só participou do aquecimento com o elenco.
No lugar de Luciano, o escolhido deve ser Gabriel Sara, que não viajou ao Uruguai. Rojas e Galeano, que também jogam na posição, entraram em campo contra o Rentistas.
FERROVIÁRIA
A Ferroviária entra em campo com a chance de quebrar um jejum de 36 anos sem disputar a semifinal do Campeonato Paulista - a última vez foi em 1985. Na fase classificatória, a equipe de Araraquara terminou na vice-liderança do Grupo B, com 21 pontos, seis a menos que o líder São Paulo, que somou 27.
Depois da última rodada da primeira fase, realizada no domingo (9), a delegação da Ferroviária foi para Atibaia, no Interior de São Paulo, fazer a preparação para o confronto das quartas. Sobre o time, Elano revelou já ter na cabeça a escalação inicial, mas decidiu não antecipar. O treinador vai promover o retorno de vários titulares que foram poupados na vitória sobre o São Caetano, por 3 a 0.
"Está definido, mas não posso passar agora. Não é isso que ganha jogo, mas faz parte da preparação", finalizou Elano. A principal aposta da Ferroviária para surpreender o São Paulo atende pelo nome de Bruno Mezenga. Revelado pelo Flamengo, o atacante é o principal artilheiro do Paulistão, com oito gols.