Bruxelas - O número de mortes por Covid-19 no mundo pode ser até quatro vezes maior do que o registrado até o momento. O cálculo, feito pela revista The Economist, leva em consideração o excesso de mortes registrado em 2020, cujo valor é maior ainda nos países pobres e em desenvolvimento.
Até esta sexta-feira (14), 3.347.154 pessoas morreram no mundo por Covid-19, segundo dados da Universidade Johns Hopkins (EUA). Países como os Estados Unidos (584.510) e o Brasil (430.417) ocupam, respectivamente, o primeiro e segundo lugar no número de mortes absolutas pela doença.
De acordo com o levantamento, o número de mortes em excesso no mundo registradas até o início deste mês é de 4,5 milhões, mas esse valor leva em consideração apenas os números oficiais divulgados pelos países.
ÁFRICA SEM DADOS
No entanto, os dados relativamente baixos de países da África subsaariana e de alguns países do sudeste asiático têm intrigado especialistas, que veem a possibilidade de sub-notificação. Com base nisso, a revista fez um modelo matemático para estimar, a partir do número de mortes em excesso registrados, quantas mortes por Covid podem ter ocorrido nesses países e não entraram nos números oficiais.
De acordo com o cálculo, o número de mortes por Covid estaria entre 7 milhões e 13 milhões ou até 10 milhões de mortes a mais do que o reportado oficialmente.
Um exemplo é a África do Sul, o país africano com o maior número de mortes por Covid: 55 mil. Isso dá uma taxa de 92,7 mortes por cem mil habitantes, mas até o último dia 8 de maio o país registrou 158.499 mortes em excesso, isto é, acima do número de mortes esperadas por causas naturais excetuando-se acidentes no território.
De acordo com autoridades de saúde, é esperado que de 85% a 95% dessas mortes em excesso sejam por Covid, o que levaria o país a registrar, no mínimo, 181.475 óbitos.
SUBNOTIFICAÇÃO
Em geral, a subnotificação de mortes por Covid, assim como de casos, ocorre pela falta de uma política de testagem. Para confirmar uma morte pela doença causada pelo coronavírus é necessário um resultado positivo do exame comprovando a infecção no momento do óbito.
Como a taxa de testagem mundial é baixa, a expectativa é de que haja a subnotificação em outros lugares também.
Mas essa discrepância entre os números oficiais da Covid e o excesso de mortalidade não acontece de maneira homogênea no mundo. Ainda de acordo com o levantamento da Economist, o excesso de mortalidade se concentra em países de baixa e média renda. Nos países membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a razão entre o número de mortes oficiais e o número estimado é 1,17 vezes maior. Já na África subsaariana, estima-se que o número de mortes equivale a 14 vezes o registro oficial.