"Godzilla vs. Kong", em cartaz nos cinemas de Bauru, reúne os dois monstros gigantes mais famosos da história do cinema. Afinal, gerações acompanham suas aventuras - "King Kong" estreou nas telonas em 1933, e "Godzilla", duas décadas depois, em 1954.
Depois dos lançamentos recentes de "Kong: A Ilha da Caveira" e "Godzilla II: Rei dos Monstros", o passo natural da Warner foi reunir, ou melhor, escalar a dupla para um bom arranca-rabo raiz dirigido por Adam Wingard, o mesmo por trás da série "Big Little Lies" da HBO. Em termos comerciais, a estratégia do estúdio alcançou sucesso, como atesta a intensa atividade das torcidas dos monstrões nas redes sociais.
Apesar do elenco que conta com Alexander Skarsgard, do mesmo "Big Little Lies" e Millie Bobby Brown, de "Stranger Things", além de Rebecca Hall, Brian Tyree Henry e Shun Oguri, é fácil ignorar a trama envolvendo os dois núcleos humanos. É tudo bem previsível, inclusive a conclusão, e há pelo menos uma coincidência inacreditável que permite a localização de um misterioso youtuber e o avanço da narrativa do longa.
O que todos esperam - e a produção entrega- são as eletrizantes cenas de luta entre os grandalhões, especialmente o combate final. Inclusive, entre um filme e outro, os monstros parecem ter frequentado a academia. Numa cena um deles aplica um direto de direita perfeitamente executado para dar inveja a qualquer pugilista.
Mas, ao analisar o duelo friamente, como se faz com um combate de boxe ou MMA, comparando pontos fortes e fracos, a luta não deveria acontecer. Um monstro seria o favorito proibitivo, talvez na proporção de mil por um, o combate correria risco de nem ser autorizado pelas autoridades atléticas pela desigualdade, ou a luta organizada como mera "exibição".
Em termos de experiência, Godzilla ganha de lavada, com uma vasta gama de adversários com estilos, poderes e características variados em seu "cartel de lutas". Além de, como Kong, ter enfrentado dinossauros, ao longo de dezenas de filmes enfrentou monstros de fogo, polvos e lagostas gigantes, criaturas voadoras, outras que lançam raios, oriundas da poluição (com uma mensagem ecológica à frente de seu tempo), e até a versão mecânica de si mesmo. Mesmo que considerados apenas os filmes desta década, só em "Godzilla II", o lagarto gigante enfrentou três de seus mais poderosos rivais históricos, Rodan, Mothra e Ghidorah.