Tribuna do Leitor

Fazer sentido

Marjorie Rocha - Advogada
| Tempo de leitura: 4 min

Amor é dádiva que chega com a graça divina de se estar vivo. Estamos repletos de luz, energia vital abundante em nossos corpos. Somos chamados ao banquete singular no qual cada um, de forma original e autêntica, pode ofertar e receber o de que necessita. As leis da Vida, universais e dinâmicas nos orientam o norte, aplicando as premissas da Justiça na distribuição equitativa das bênçãos e oportunidades de crescimento, em direção ao nosso Destino.

Não há como escapar da Verdade sobre nós mesmos e consequentemente das verdades compartilhadas com aqueles que comungam a existência conosco. Ninguém passa isento de dor, perdas, angústias, dissabores, males diversos. Porque é necessário aprender a conviver com a tristeza e alegria, com a mesma fortaleza íntima, para que aceitemos a Vida em todas as nuances e possibilidades de avanço e recuo.

A Natureza é pródiga neste mistério de compreender silenciosamente os acontecimentos mais sutis, e a eles se submeter sem reclamações. Nós ainda insistimos na rebeldia inócua de esbravejarmos diante de tudo que nos incomoda, tal qual criança inquieta que deseja consumir o tempo da forma que lhe aprouver, sem maiores consequências.

O que ainda nos falta perceber? Quais as atitudes e providências que deveremos tomar para que o bem estar emocional, mental, físico e espiritual possa fazer morada em nós? Quantas filosofias, tratados, dogmas religiosos, curas, receitas terapêuticas ainda serão necessários para aplacar a nossa inconformidade perante as coisas que não controlamos? Quantas pessoas Grandes vieram para este Planeta, e plantaram sementes de conhecimento e sabedoria por meio de suas atitudes incontroversas, coerentes e transcendentes?

Recebemos todas as orientações essenciais ao desenvolvimento de nossas capacidades, potencialidades, virtudes, vulnerabilidades e ainda assim, falhamos conosco, com a comunidade ao nosso redor, com a natureza-mãe, exuberante e farta. Destruímos quase tudo, mas sobretudo a Fé, a Esperança, a Bondade, filhas diletas do Amor.

Em nossa parca consciência, alegamos ou fingimos alegar ignorância, descuido, falta de tempo para pensar em coisas importantes. Porém, persistimos em adquirir todo tipo de coisas desimportantes, a um preço que nunca teve real valor. Negligenciamos a arte de Amar as coisas pequeninas, despojadas, simples em essência.

Elegemos representantes para tomar decisões por nós que jamais exemplificam o que existe de valor para nossa Vida ser próspera, abundante, farta em saúde e compaixão pelos que sofrem mais, demais.

Cultivamos uma ânsia insana de consumir a nós mesmos e aos outros, com tantos debates vãos, ideias mal acabadas e diálogos vazios.

Nunca houve um tempo de tamanha superficialidade e exposição excessiva.

A vontade de aparecer e mostrar ser melhor e maior que o outro, de demonstrar uma força que parece esconder uma atitude covarde de assumir-se frágil e vulnerável. Tantas repetições de falas sem argumento, de opiniões descabidas de sentido ético ou estético.

Acredito no Amor, sempre acreditei.

Não apenas no amor romântico, idealizado, utópico; mas sobretudo, no Amor que rege a vida que há na gente. Aquela fagulha eterna, imanente, que transcende espaço tempo tal qual a velocidade da luz. Talvez, o Amor seja a exata expressão da velocidade da luz percorrendo todos os instantes e espaços, dentro e fora de nós. E nós, nem sequer percebemos a sua intangível presença, de tão agarrados a supostas certezas às quais nos apegamos feito predadores que não desistem de suas presas.

Amor acontece no livre exercício de escolhermos o nosso bem e o do outro com o qual partilhamos a Vida.

Amor é semente e é árvore frondosa e robusta que se ergue em nós por força do trabalho diário na lida do sacrifício e do compromisso.

Amor é, e está em todos os cantos do Universo, e em nós, como apreço indelével de Deus a nos embalar no infinito porvir da criação que a tudo provê e prevê. Portanto, deixe ir, deixe fluir em você o que há deste Amor, por onde quer que passes. Abraçe hoje, agora e com toda convicção de si. Entregue de braços abertos, o seu melhor: você em você, naquele instante.

Não se demore mais, não existe este tempo. O tempo que vem depois, já é outro e não se dobra à nossa vontade. Venha logo, sem pressa, com consciência de si e age conforme sentes, conforme entendes, na busca sincera de tudo que te encanta o coração. Sonha, mas sonha feito menino, e aguarda tranquilo; porquê tudo que vem, vem para te encontrar feliz e satisfeito. Agradece a presença divina neste momento, e acolhe em ti, as palavras generosas que escutastes de quem verdadeiramente te ama.

Não temas, não corras, não deixa morrer em ti o que mais te faz vivo. Alimenta a chama sagrada da Vida, estende o conforto a quem precisa e guarda a tua parte original àqueles que a honram e reconhecem. Que a nobreza de espírito fale em alto e bom tom com tua alma e compreendas de imediato, a razão por trás das coisas que te escravizam. Dobra os joelhos em oração contrita e te põe a caminhar por um novo caminho dentro de ti.

Nunca estarás sozinho, pois o Amor habita o Ser que percorre o Mundo em sintonia com as forças psíquicas do Bem.

A Paz de todas as criaturas bem aventuradas esteja contigo hoje e sempre.

 

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