ONTEM NA HISTÓRIA - Vó Carminda sentava-se à frente da sua residência, na Rua Gerson França, 6-66, lá pelas 18h, no entardecer do dia e, logo, logo, estavam juntas sentadas cada uma em sua cadeira: D. Carmen, D. Ernesta, D. Arminda, pois não havia televisão, como hoje em dia. O rádio era a única forma de comunicação e informação que todo o brasileiro tinha em sua casa.
Iam se falando, trocando receitas, passando receitas caseiras para as dores que eram comuns a todas da mesma idade... Nós, crianças:- Eu, Paulo, Celina Elizabeth, Alaor, Athaide, Fátima, Abimael, a esposa do dr. Helder, sua irmã Sônia, ficávamos ali em frente, pois não havia movimento na rua, nem ônibus, nem carro, a rua era livre, para brincadeiras de todos nós, brincadeiras que hoje não existem mais "mãe da rua", "esconde-esconde", "mocinhos e bandidos", "jogando bola", até que o terror das crianças Ponciano, com sua perua rural vinha para recolher a bola... como era gostoso correr e se esconder, que momentos alegres... e marcantes na vida de todos...
HOJE NA HISTÓRIA - Eu, Vera Lucia (minha esposa), d. Leda, vizinha, com o seu cão fiel, pelos brancos, companheiro de todas as horas, nos sentamos à frente de nossa residência e ali comentamos sobre política, receitas novas, troca de informações das dores comuns a todos, opiniões comedidas, da situação caótica em que vivemos, troca de lembranças, de tempos já distantes. D. Leda, viúva, seu marido era militar, e transferido sempre de um lugar para outro, teve dois filhos e sempre acompanhando o seu marido para onde quer que fosse destinado na função de militar que era... Nesse período todo, o cão Nicodemo, sendo chamado de Nico, sentado aos pés de sua dona, atento a tudo e a todos que passam, principalmente aos gatos que ousam vir à praça, dá carreiras rápidas e retorna aos pés de sua dona, demonstrando então, a nós:- "Estou aqui em forma"... quando se simpatiza com algum transeunte, vai direto para a casa dele, e pega um pano, uma toalha, um trapo, e retorna com ele na boca, fazendo acrobacias com o pano, demonstração de seus talentos... até receber um passar de mão nos seus belos pelos brancos como a neve...
E nós, humanos, vamos mostrando fotos antigas de momentos maravilhosos de nossas vidas... contando "causos" que já ficaram no século passado... E quando notamos o entardecer do dia já virou noite... Hora de nos recolhermos, para amanhã retornarmos a esses momentos de nostalgia. Basta um "Vamos nanar Nico", para o seu fiel companheiro, diz d. Leda, e ele corre para o portão de entrada de nossa vizinha... Amanhã será um novo entardecer e novos papos continuarão... Mostrando que os costumes se repetem ao longo de nossas vidas.