Economia & Negócios

Abertura de MEI tem recorde histórico

Anna Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos cinco anos, o número de MEIs segue em crescimento e, neste período, a quantidade de microempreendedores individuais praticamente dobrou. De acordo com dados divulgados pelo Indicador de Nascimento de Empresas, da Serasa Experian, o mês de janeiro deste ano registrou a maior série histórica desde 2010 de aberturas de MEIs: foram 312.462 novos empreendedores só em janeiro; hoje já são 12,1 milhões de MEIs no País.

"Isso não é porque o Brasil virou um celeiro do empreendedorismo ou é um País de oportunidades. Esse crescimento, de forma geral, vem desde esse período porque o País não tem conseguido absorver a massa de pessoas que desejam desenvolver uma atividade produtiva. O Brasil bateu recorde de desemprego, são 14 milhões, e muitas delas acabam indo para o empreendedorismo como alternativa para sobreviver. É o empreendedorismo de necessidade e não de oportunidade", pontua o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.

Ao analisar o crescimento por regiões, o Nordeste apresenta o maior número de novos microempreendedores (24,5%), seguido por Norte (15,7%), Sul (15,4%), Centro-Oeste (14,0%) e Sudeste (13,2%), segundo dados da série histórica divulgados com exclusividade pelo Estadão.

Quando o recorte é feito por setor, o segmento do comércio foi o que mais cresceu no intervalo de um ano, comparando os dados de janeiro de 2020 com os de 2021. Na série histórica, desde 2010, contudo, o setor de serviços foi o principal responsável pelo recorde de abertura de MEIs, com 246.859 novos negócios.

A massa de MEIs, porém, caracteriza o grupo mais afetado pela pandemia do coronavírus. Segundo a 10ª edição da pesquisa "O Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios", realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cada 100 microempreendedores individuais (MEI) no Brasil, 82 afirmam ter perda de faturamento.

A sommelière e consultora de bebidas Isadora Fornari, que é MEI e atua no setor de bares e restaurantes, viu o faturamento cair em torno de 30% a 40% com a pandemia. Acha que o tombo não foi pior porque ela tem uma cartela diversa de serviços, desde conceito de marca e construção de cardápio até degustação com o consumidor final.

"Todo mundo do meio da restauração acabou se dando mal de uma forma ou de outra", conta ela. Para recuperar parte do prejuízo, apostou em eventos online, montagem de kits de degustação e experiências para o mercado corporativo, que cresceram no período.

"Mas é claro que o evento presencial, com o serviço, tem um valor agregado muito maior. O virtual não traz a mesma sensação do físico." Para Isadora, enquanto perdurar a pandemia, a solução é cavar oportunidades em diferentes lugares. "Está sendo importante estar atenta para prospectar e indicar não só a mim como outros profissionais que podem oferecer experiências e conhecimento."

Além da queda do faturamento, dados da Serasa Experian de março de 2021 mostram que há mais de 5,4 milhões de negócios inadimplentes no País. "Nesse começo de ano, a inadimplência das empresas tem aumentado, juntamente com a queda do faturamento. Houve uma melhora, mas no primeiro trimestre a recuperação deu uma parada: aumento da inflação, diminuição do auxílio, aumento de juros, novos lockdowns são alguns pontos que influenciam", diz Luiz Rabi.

Além disso, o levantamento do Sebrae com a FGV indica que 60% dos microempreendedores individuais procuraram as instituições bancárias para pedir empréstimos, mas apenas 28% conseguiram.

O economista do Serasa ressalta que a estagnação econômica é um dos principais problemas enfrentados pelos empreendedores, principalmente aqueles que estão entrando no mercado.

 

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