Tribuna do Leitor

Em uma escola cívico-militar?

Prof. Joaquim Eliseo Mendes - Membro efetivo da ABLetras
| Tempo de leitura: 3 min

Há poucos dias, ouvindo o programa "Atualidades', da conceituada FM 94, dirigido pelo meu irmão e amigo Netão, considerei muito interessante e original a enquete colocada no ar para os ouvintes responderem "sim" ou "não", e cuja apuração, sinceramente, não acompanhei. A enquete era a seguinte: "você matricularia o seu filho em uma escola cívico-militar?" Como acabo de afirmar, não me interessei pelo resultado, mas considero a essência da pergunta, o porquê desta enquete. Pois, segundo o ditado, onde há fumaça tem fogo; então, se os repórteres chegaram ao consenso da pergunta é porque devem ter conhecimento de dissonância de opiniões, preconceitos, motivos, pois não inventariam do nada. Há algo nos bastidores. Eu, muito embora aposentado há quatro décadas, continuo acompanhando e vivenciando a educação; não "dependurei a chuteira de vez", continuo ligado, tentando jogar. Razão porque venho acompanhando a realidade, o nível de ensino destas escolas que já existem em municípios do norte e nordeste brasileiro, através da participação dos seus alunos em eventos, a grande aceitação dos pais e comunidades em que estão inseridas.. Portanto, as escolas cívico-militares não constituem uma novidade, pois já existem; o desejado é a sua inserção e regularização em nível nacional integrando-as na gigantesca rede nacional de escolas que deverão ter como fim último a cultura, a educação da sociedade brasileira. Os ministérios da Educação e Desenvolvimento se uniram para a implantação do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares objetivando a criação de 216 unidades até 2023, com a meta de 54 por ano. Se o fim da nossa educação era o de erradicar o analfabetismo através de metas estabelecidas nas esferas nacional, estadual e municipal, hoje, além desse mesmo objetivo que deverá continuar ser procurado, agora é o de melhorar a qualidade do nosso ensino equiparando-o ao mesmo nível dos países adiantados. Vivemos reclamando de que o brasileiro, por isso e por aquilo é um povo mal educado, questionando a nós próprios "quando será que este país vai melhorar, será que verei?" Minha opinião como educador pode ser posta em dúvida, mas, de acordo com financistas, economistas, banqueiros. cientistas políticos, sociólogos, empresários, especialistas e expoentes de outras áreas do conhecimento humano, unânimes afirmam que só existe um meio ou agente que poderá produzir efeitos a médio e longo prazo para dar outro status ao Brasil, a Educação. Razão pela qual surpreende-me a possibilidade de se discutir, ser conveniente ou não a instalação de uma escola cívico-militar em Bauru. Será moral a afirmação de que não há interesse? Ressalte-se que o currículo dessas escolas que serão dirigidas por miliares aposentados com os mesmo professores da escola comum será o mesmo com as matérias determinadas pelas leis maiores da educação nacional, acrescido com o estudo da ética e educação moral e cívica, matéria que infelizmente foi abolida e que tanta falta está fazendo. A meu ver, a Escola Cívico-Militar estará assentada sobre o tripé: Aluno- Civismo- Disciplina.

Hoje, infelizmente se perguntarmos a uma criança ou jovem: "O que é mais importante, o celular ou o Brasil" O dia a dia que o diga e todos sabem o resultado da pesquisa. Finalizando, respondendo à enquete dos programas radiofônicos da FM 94, "Atualidades" e "Informasom" respondo: "Sim, eu matricularia meu filho em uma escola cívico-militar." Bauru não pode perder esta oportunidade, tem que correr atrás. Lembro que os governantes, políticos, enfim os homens passam mas a escola ficará.

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