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Para especialistas, pensar na pandemia em 'ondas' atrapalha

FolhaPress
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São Paulo - Enquanto o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fala em evitar uma terceira onda de Covid-19 por meio do avanço da vacinação, especialistas afirmam que pensar a pandemia em ondas é incorreto -segundo eles, nem teríamos saído da primeira delas.

Roberto Kraenkel, professor de física na Unesp e membro do Observatório Covid-19 BR, lembra que as ondas na vida real são bem caracterizadas e podem até ser previstas. "Essas ondas não são naturais. Não são como ondas do mar, com cinco delas por minuto. Elas são fruto de política, de reação das pessoas e de mudança também do vírus."

SEM ZERAR O CONTÁGIO

Segundo Paulo Lotufo, epidemiologista e professor titular da Faculdade de Medicina da USP, para definir as ondas da doença é preciso zerar o contágio, o que nunca ocorreu no Brasil. "Por isso, nos últimos meses a gente tem preferido falar em repique ou arremetida da Covid, mas o fato de Queiroga se mostrar preocupado com o recrudescimento da pandemia, seja onda o termo correto ou não, já é um avanço frente à forma como o ex-ministro [Eduardo Pazuello] lidava com esse tema", diz.

Para ele, o problema é quando as autoridades atribuem a culpa da alta de casos às novas variantes, e não ao comportamento ou às ações de prevenção do governo.

"Em fevereiro, os casos em São Paulo já estavam subindo antes do surgimento da variante P.1. A mesma coisa ocorreu em Manaus, onde ela se originou. O repique de casos de SRAG [síndrome respiratória aguda grave] foi no final de novembro, em dezembro, mas a explosão da P.1 mesmo foi em janeiro", explica.

Para Maria Amélia Veras, epidemiologista e professora da Santa Casa de São Paulo, falar em ondas pode dar a ideia que a pandemia é cíclica e podemos relaxar. "Já foi demonstrado que essa é uma doença de transmissão respiratória, e uma maneira de contê-la é usar máscaras de maneira correta e consistente e praticar o distanciamento. Pensar em sazonalidade pode fazer com que as pessoas entendam que não há um perigo agora", diz.

Neste momento, apenas cerca de 12% da população adulta do país já recebeu as duas doses da vacina contra Covid-19.

ALERTA

O governo federal vem recebendo alertas sobre a chegada de uma nova onda da pandemia de Covid-19 de secretários de Estados e Municípios. Segundo gestores do SUS (Sistema Único de Saúde) que participam das discussões, o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) está preocupado com o cenário.

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