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Esperança e amor

Patricia Schubert
| Tempo de leitura: 2 min

Dizem que esperança é a última que morre.

Minha ajudante e amiga, sexagenária, que me conhece desde a infância, viveu dois longos relacionamentos, dos quais advieram seus quatro filhos.

O primeiro desfez-se pelo vício do álcool do companheiro, pai dos três filhos mais velhos, com quem ainda tem contato e o chama de "Senhor".

O segundo terminou pela falta de carinho e também pelo excesso de bebidas, hábito lamentavelmente comum entre os materialmente menos favorecidos.

Desde então, contava que nunca mais desejou um novo parceiro, restringindo-se a trabalhar como faxineira, cuidar da casa e ajudar os filhos na criação dos netos.

Mulher batalhadora, honesta e educada, não pode alfabetizar-se pois, sendo filha mais velha, necessitou cuidar dos vários irmãos menores, enquanto os pais laboravam na lavoura.

A falta de estudos não foi impedimento para conquistar sua casa própria, que terminou de construir após receber valores retroativos inerentes a aposentaria pleiteada pelo alcance da idade.

Somada a atividade de limpeza, também comercializa produtos de catálogo, o que a fez bastante conhecida no bairro onde mora.

Eis que um dia chega em casa e me conta que foi ao encontro de um senhor, dando a entender que se tratava de um pretendente a namoro.

Grande surpresa para mim, que acreditava que minha amiga não estava aberta a novas relações. Paulatinamente, ia contando sobre o encontro e a curiosidade dos filhos sobre o inusitado fato.

Ria, mostrando-se um tanto envergonhada. Ouvi atenta, percebendo que ela desejava compartilhar a experiência.

Sabendo de sua rotina, restrita ao trabalho e a casa, tomei a liberdade de perguntar onde tinha conhecido o senhor.

Após uma risada, me conta que foi num aplicativo de namoro.

Isso mesmo!

Com sessenta e três anos, pouco letramento e hábitos caseiros, com ajuda de uma nora, inscreveu-se virtualmente para buscar um namorado.

A esperança não morre quando se trata de amor.

A autora é colaboradora de Opinião.

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