Quito - A ida de Jair Bolsonaro, ao Equador, para a posse do novo presidente, Guillermo Lasso, nesta segunda-feira (24), sinaliza a busca pela retomada de alianças regionais para fazer frente aos países liderados pela esquerda, sobretudo em um momento em que o Peru vai às urnas para decidir seu próximo governante.
No próximo dia 6 de junho, os peruanos decidem em segundo turno entre Pedro Castillo, candidato da esquerda, e Keiko Fujimori, candidata da direita e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, em um pleito extremamente polarizado.
Essa é uma das poucas viagens de Bolsonaro para prestigiar a posse de um presidente na América Latina. Em março de 2020, ele foi ao Uruguai acompanhar a posse de Luis Lacalle Pou, eleito à frente de uma coalizão de direita após 15 anos de governos de esquerda.
O presidente brasileiro, porém, não compareceu às cerimônias que empossaram Alberto Fernández na Argentina, em dezembro de 2019, e Luís Arce na Bolívia, em novembro do ano passado.
PROSUL
A viagem demonstra a disposição de Bolsonaro em tentar fortalecer o Prosul, um novo fórum criado em março de 2019 para o desenvolvimento da América do Sul e que é visto como uma forma de países da região isolarem a Venezuela, governada por Nicolás Maduro. Após a fundação do grupo, o Brasil formalizou sua saída da Unasul, criada em 2008, quando a maioria dos países da região era governada por políticos de centro e centro-esquerda.
O deputado federal Carlos Bolsonaro, filho do presidente, mostrou nas redes sociais um encontro do presidente com o rei Felipe VI da Espanha.
A posse contou com a presença de líderes mundiais como Luis Abinader, da República Dominicana, Jovenel Moise, do Haiti, e Felipe VI, rei da Espanha. Os Estados Unidos foram representados por sua embaixadora na ONU, Linda Thomas-Greenfield.
Lasso, de 65 anos derrotou no dia 11 de abril o esquerdista Andrés Arauz por 52,36% contra 47,64% dos votos, em uma eleição acirrada que revelou a polarização no país andino. Com mandato a priori até 2025, ele será o primeiro governante de direita no Equador desde 2003.
MÁSCARA
Durante toda a posse do presidente eleito do Equador, Guillermo Lasso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seguiu os protocolos sanitários do país e manteve o uso da máscara de proteção individual, acessório que os especialistas definem como essencial para conter a pandemia e dispensado por ele em todas as suas aparições públicas no Brasil.