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MP é chamado a apurar impacto de eucaliptos no leito do Batalha

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

O vereador Eduardo Borgo (PSL) encaminhou uma denúncia ao Ministério Público (MP) do Meio Ambiente solicitando apuração nas plantações de eucaliptos no entorno do Rio Batalha, com base em um novo laudo técnico concluído por engenheiros da Defesa Civil neste mês. Na Câmara, o parlamentar preside a Comissão de Meio Ambiente e Saúde.

A lagoa de captação do Rio Batalha é responsável por abastecer cerca de 40% da população, algo em torno de 140 mil bauruenses. Borgo solicitou a atualização do material, especificando a disparidade de consumo e a absorção de água dos eucaliptos. Ele afirma que vai convocar uma reunião de emergência para a semana que vem.

Procurado pela reportagem, o promotor Luiz Eduardo Sciuli de Castro confirmou o recebimento do ofício e disse que vai analisar a denúncia a partir desta sexta-feira (28).

Na denúncia, o vereador reforça que a crise hídrica está agravada nos últimos anos, muito em função da monocultura do eucalipto na região do rio, conforme documento técnico. Ele ressalta que, apesar de ter ocorrido chuva, o preenchimento da lagoa de captação não volta à normalidade com facilidade, apesar da plena atividade das bombas de sucção de água. "O laudo dos peritos aponta que a principal origem do secamento do Rio Batalha pode estar relacionada aos eucaliptos. Se comprovado pelo MP, é necessária reparação ambiental", destaca Borgo.

SUCÇÃO X CONSUMO

O laudo aponta que os 140 mil habitantes beneficiados pela água do Batalha consomem 48,3 milhões de litros de água por dia. Já a sucção pelas raízes dos 19.511 hectares de eucaliptos plantados na bacia do Rio Batalha absorve entre 427,6 a 641,4 milhões de litros de água por dia.

A conclusão do documento dimensiona a gravidade do problema. Os eucaliptos estariam absorvendo entre 784% a 1.226% de água a mais do que o consumo dos 40% dos bauruenses que dependem do Batalha. Assinam o documento os engenheiros Marcelo Ryal Dias, Julio Cesar Natividade e o arquiteto Valcirlei Gonçalves Dias.

ALERTA

Segundo Marcelo Ryal Dias, coordenador da Defesa Civil, a pasta não trabalha só com monitoramento do nível do rio, mas também causa e efeito. "Sempre tivemos secas, mas a partir de alguns anos o problema vem se agravando. Provas científicas apontam que o plantio denso de eucaliptos na cabeceira dos córregos, devido a suas raízes, dificulta que a água chegue até o Batalha. No prazo de cinco anos, se nada mudar, vamos ter quantidade insignificante de água para abastecimento na lagoa de captação", explica Ryal. Ele acrescenta que a solução deve ser pensada em conjunto, entre Município e o agronegócio.

DAE ACOMPANHA

Procurado pelo JC, o DAE comunicou que está ciente do laudo e da denúncia do vereador e acompanha as ações que estão sendo tomadas.

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