Economia & Negócios

Empreendedoras indígenas utilizam as redes sociais para divulgar suas criações

Andrea Vialli
| Tempo de leitura: 2 min

Com a ajuda das redes sociais, empreendedoras indígenas expandem seus negócios, ao mesmo tempo que valorizam a tradição, a arte e as causas de seus povos. Dona de uma marca de roupas, a artista plástica We'e'ena Tikuna é também influenciadora digital, com mais de 105 mil seguidores só no Instagram.

We'e'ena, cujo nome significa "a onça que nada para o outro lado do rio", saiu da Terra Indígena Tikuna, no Alto Solimões, Amazonas, no início da adolescência. A família se mudou para Manaus, para que ela e seus cinco irmãos tivessem mais acesso aos estudos. Foi alfabetizada aos 12 anos - até então, não falava português. Em 2004, fez uma formação em artes plásticas e se destacou na técnica de acrílico sobre tela. No Museu Histórico de Manaus, há 12 obras dela, que compõem o acervo permanente.

O interesse pela arte passou para a moda. We'e'na já confeccionava peças com tecidos, cores e grafismos que representam a herança da cultura do povo tikuna para si mesma e vendia para amigos. Em 2018, mudou-se para o Rio e passou a participar de feiras de design. No ano seguinte, foi selecionada para o evento Brasil Eco Fashion Week, no qual lançou a marca que leva seu nome, We'e'ena Tikuna Arte Indígena.

No fim de 2020, a marca lançou uma linha de bonecas vestidas com looks da coleção. São 11 modelos, criados à imagem e semelhança de We'e'ena e confeccionados por ela e uma equipe de cinco pessoas. "Decidi criar as bonecas com uma proposta educativa, como uma forma de divulgar a cultura tikuna e mostrar às crianças que não existem só bonecas loiras e magras", diz.

Após vender mais de cem unidades no fim do ano, ela disponibilizou mais uma centena em abril, que também se esgotou em pouco tempo. Chegou a enviar produtos para Suíça, Espanha e Portugal.

Vendidas no ecommerce da marca, tanto as peças de roupa quanto as bonecas são acompanhadas de um certificado com informações sobre sua produção e a história do povo tikuna -30% das vendas são revertidas para a aldeia de We'e'ena.

Em paralelo ao trabalho com a moda e a Internet, ela é também nutricionista, carreira que decidiu seguir após constatar que muitos indígenas estavam adoecendo em razão da má alimentação.

Hoje, atende online, com uma proposta de resgate da alimentação natural do povo tikuna, baseada em frutas, raízes e peixes, além de atender ao público vegetariano.

Para a influenciadora, as redes sociais ajudam na conexão do público com as causas indígenas e no combate ao preconceito.

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