Economia & Negócios

Só na pandemia, Bauru ganha 457 MEIs de venda de bebidas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Dados da Prefeitura de Bauru apontam que, durante a pandemia, a cidade registrou aumento de 35% no número de microempreendedores individuais (MEIs) que comercializam bebidas. Entre 19 de março de 2020 e 18 de maio deste ano, 457 novos MEIs foram inscritos no município, que passou a totalizar 1.289 microempreendedores no segmento. O acréscimo ainda é estudado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon), que aponta fatores como o fechamento de bares, lanchonetes e restaurantes, assim como aumento exponencial no consumo de bebidas alcoólicas das pessoas em casa, como responsáveis pelo crescimento.

"Devido ao isolamento social, o setor de eventos foi paralisado e houve também o fechamento de bares e restaurantes. Isso tudo fez com que o lazer das pessoas dentro de casa ganhasse espaço, especialmente regado a cerveja e vinho. Tem uma pesquisa que diz que essa comercialização de bebidas alcoólicas para consumo em casa no País alcançou, na pandemia, mais de 63 milhões de litros, número três vezes maior do que em 2019", contextualiza o titular da Sedecon, Charlles Rodrigo D' Angelus.

ABERTURAS

Diante deste cenário, entende-se que muita gente pode ter aproveitado o filão para iniciar um negócio no segmento, como é o caso de Roberto Parreira Pinto Júnior, de 59 anos, que virou MEI de vendas e entregas de bebidas durante a pandemia. Há dez dias, a conveniência dele, localizada na quadra 2 da rua Orlando Ranieri, completou um ano.

"O abre e fecha comercial deixou muita gente confusa, mas a permissão das vendas delivery e o famoso passa e pega [drive thru] ajudaram bem meu negócio a fluir. Não é fácil, porque quando os bares abrem o movimento cai, mas tenho conseguido uma carteira de clientes do bairro", comenta.

Morador da Vila Cardia, Roberto conta que trabalhou como fiscal em supermercados ao longo da vida e também atuou em revenda de bebidas, o que lhe conferiu expertise para abrir o próprio negócio na área. Ele reclama, contudo, que a concorrência no setor aumentou.

"O mercado não está fácil, muitos disks e conveniências abriram por aí neste um ano. São pessoas que estavam desempregadas ou que abriram o negócio por achar que é fácil abrir uma porta e vender bebidas, mas o trabalho é árduo. Faço compras, limpeza, regulo estoque e contabilidade, tudo sozinho", comenta.

MIGRAÇÃO

A Sedecon, contudo, depende de uma análise mais detalhada para entender se o aumento de 35% no número de MEIs no setor de bebidas é decorrente de novos negócios e operações na cidade ou se revelaria alguma migração de profissionais que já atuavam na área e tornaram-se MEIs.

"Temos um fenômeno nacional no qual distribuidoras e empresas atacadistas, sem condições de bancar salários de vendedores, incentivaram a migração de funcionários para MEIs, como forma de poupar os encargos com impostos trabalhistas e se manter no mercado", considera o secretário da Sedecon.

"Sem bares ou lanchonetes abertos para que os representantes comerciais pudessem atuar, essa parece ter sido a saída encontrada pelas distribuidoras. Já que a concentração de vendas, na maior parte da pandemia, ficou com os mercados, que muitas vezes conseguem comprar bebidas diretamente da fábrica", contextualiza Charlles.

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