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Consumo de carne é o menor desde 96

Estadão Conteúdo
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São Paulo - O brasileiro consumirá neste ano a menor quantidade de carne vermelha por pessoa em 25 anos, estima a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo o órgão, o cenário de crise dos últimos anos - com a recessão de 2014 a 2016, a lenta recuperação de 2017 a 2019 e a nova crise causada pela Covid-19 desde o ano passado - vem derrubando o consumo total de carnes (bovina, suína e de frango) desde 2014.

A partir de 2013, quando atingiu 96,7 quilos por pessoa por ano, auge na série histórica iniciada em 1996, houve seis anos seguidos de queda. Neste ano, o consumo total deve ficar 5,3% abaixo do pico. Apesar da queda no consumo, o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sergio De Zen, disse que o consumo geral do brasileiro se mantém no nível de vários países, incluindo desenvolvidos.

Conforme um levantamento da Conab, a demanda anual de carnes na União Europeia foi de 89,3 quilos por habitante, média dos últimos cinco anos. Na Austrália, ficou em 101,2 quilos; nos EUA, em 116,8 quilos. Com a renda menor, as famílias compram menos carnes em geral e substituem as mais caras - em geral, a bovina - pelas mais baratas - como a de frango. A queda no consumo de cortes bovinos passa por um rearranjo na participação dos diferentes tipos de proteína na cesta de compras dos brasileiros.

O menor consumo interno ainda tem outra explicação: a forte demanda externa, principalmente da China. A alta nos pedidos chineses tem relação com uma doença - não a Covid-19, mas a peste suína africana (PSA), que assola os rebanhos do país asiático e das nações vizinhas desde 2018.

Nos corredores dos supermercados, os brasileiros se viram para se adaptar ao encarecimento da carne bovina. Nos últimos seis meses, a família do analista de sistemas Ricardo Marques, 60 anos, vem reduzindo o consumo de carne bovina, por causa dos preços mais elevados. Marques estima que o consumo caiu a um terço do habitual. Com o produto mais caro, a saída é migrar para o frango e, "eventualmente", o peixe. "E mesmo assim o preço do frango está subindo", ponderou Marques, que está atento à influência do mercado internacional nos preços. "Estão exportando tudo para a China e a gente está pagando o pato."

 

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