'O futuro não é um lugar que estamos indo, mas um lugar que estamos criando'. Valho-me da luz de Saint Exupéry para abrir os olhos dos prefeitos para a gestão ambiental.
Oportuno relembrar que em 1972, na conferência internacional da ONU voltada para o ecossistema, foi instituído o dia 5 de junho como o "Dia Internacional do Meio Ambiente". A luz que motivou essa decisão foi: "necessidade de racionalizar a gestão dos recursos naturais e preservar o meio ambiente e assim preservar a vida". A Constituição Federal trata do tema, nos artigos 5, LXXIII, e 225, como esclareceu a juíza Rossana Mergulhão (JC-06/06/20). Oportuno lembrar que atuar no meio ambiente não se restringe apenas em plantar e evitar cortes de árvores. Mas também implementar outras ações que evitem cortes de emissões de gases efeito estufa. Destaco algumas:
1. Coleta seletiva e reciclagem de lixo residencial e cial: não observo inovação e nem esclarecimento por parte da maioria das prefeituras à população. O isopor, por exemplo, não é reciclável por sua composição ou por ser leve? Recentemente presenciei na Itália critérios reguladores entre governo e população, na armazenagem e coleta, para a preservação ambiental. Lá, além da conscientização, existe a fiscalização;
2. Convivência arborização e Iluminação Pública - IP: estudos realizados quando exerci a então Regional de Bauru, responsável por 88 localidades, davam conta que 40% do fluxo luminoso da IP não eram aproveitados: pelo desgaste natural das lâmpadas e pelas obstruções dos galhos de árvores. Vejam parte da avenida José da Silva Martha.
3. Expansão na IP: para surpresa geral, o JC do último 04/05 noticiou que a Prefeitura de Bauru vai instalar 140 novos pontos de luz, em postes da CPFL. Pela forma que foi anunciado será nos moldes das 800 unidades instaladas em 2019/20. Ou seja, com lâmpadas vapor de sódio, agressora do meio ambiente, ao invés de LED- Light Emitting Diode. Convido a prefeitura e o Comdema a verificarem o artigo que escrevi a respeito (JC-11/01/20). Lá, fundamento a ação devastadora da referida obra ao meio ambiente: "Lançou 35 toneladas CO2 na atmosfera; não preservou 201 árvores; a eletricidade consumida daria para abastecer 35.000 clientes/ano". Ademais, toda substituição incorreta na IP acresce o custo da PPP - Parceria Público Privada da Iluminação, que está em estudo, em Bauru.
4. Utilização de energia Fotovoltaica: não consigo entender o porquê da Prefeitura de Bauru e DAE não a utilizarem. O pior sol do Brasil é no Paraná. Mesmo assim, é melhor do que o da Alemanha, que se destaca no uso de energia solar, após a China. Embora o ônibus elétrico adquirido por Bauru traz vantagem ambiental, não era prioritário. O valor investido, daria para implantar fotovoltaica, em dezenas de escolas.
Oportuno lembrar ainda que a atuação tem que ser de todos. O planejamento e a gestão tripartite: união, estados e municípios. Via de regra, iniciativa inovadora de algum governo, o sucessor não dá segmento, por desconhecer ou por picuinha política. Aí a iniciativa fica sendo de "Governo e não de Estado". Exemplifico caso de Bauru. O governo municipal que assumiu em 2005 e os subsequentes, não deram sequência na GEMA - Gestão Energética Municipal Ampliada, que vigorou de 2001 a 2004. Ao lado dos aspectos técnicos e lúdicos - "meio ambiente", segurança, arquitetura urbana e qualidade de vida - haviam os de natureza legal, econômica, social e política (Ofício GP 566/2004, à 8ª Promotoria, detalha a GEMA - inquérito civil 46/2004).
Oportuno encerrar com a luz da Jessie Potter, no Pensador: "Se continuar fazendo o que sempre fez, vai continuar colhendo o que sempre colheu".
O autor é executivo aposentado CPFL. Foi executivo Gabinete Prefeitura Bauru. É assessor Civismo/ Cidadania - Governadoria Lions. Representa a Assenag no Conseg e Coinfra. Diretor Apae