São Paulo - O Ibovespa teve sua melhor semana desde março, acumulando alta de 3,64% até esta sexta-feira (4) e ultrapassando os 130 mil pontos pela primeira vez. Nesta sessão, o índice fechou em alta de 0,40%, a 130.125,78 pontos, novo recorde nominal (sem contar a inflação). Segundo cálculos de Einar Rivero da Economatica, o recorde real é de 2008, quando o Ibovespa foi a 73,5 mil pontos, equivalentes a 150 mil pontos hoje.
Na máxima do dia, chegou a 130.137,29 pontos, batendo também o recorde intradiário, ou seja, da pontuação durante o pregão. O viés positivo também reverberou no real, e o dólar fechou em queda de 0,94%, a R$ 5,0360, menor nível desde 10 de junho de 2020, quando estava cotado abaixo de R$ 5 pela última vez, a R$ 4,935, segundo dados da CMA. O dólar turismo está a R$ 5,207.
Desde a máxima de R$ 5,79 atingida neste ano, o dólar recua cerca de 13% ante o real. A divisa brasileira ganha força à medida que dados apontam uma recuperação da economia nacional.
Segundo dados do IBGE, o PIB cresceu 1,2% no primeiro trimestre de 2021 e zerou as perdas registradas desde o início da pandemia do coronavírus, surpreendendo positivamente o mercado, que revisou para cima suas projeções para o crescimento econômico em 2021.
Outro fator para a queda do dólar é o ciclo de alta nos juros. A Selic que estava na mínima histórica de 2% ao ano foi para 3,5% recentemente e, segundo estimativas do mercado, deve terminar o ano em 5,75%.
Juros mais baixos levam a uma queda do dólar ante o real pelo carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e dos juros. Com o juro americano próximo de zero, acontece uma entrada de dólares no Brasil, o que reduz a taxa de câmbio.
Além disso, com a recuperação das economias de Estados Unidos e China, os preços das commodities estão em alta, beneficiando países exportadores, como o Brasil.