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'Tem dia que não quero sair da cama'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Insônia, tristeza repentina, palpitação e sensação ininterrupta de esgotamento. Os sinais da fadiga pandêmica já não são raros aos moradores de Bauru, como acontece com a relações públicas Mariane Cestari, de 32 anos. "Tem dia que eu não quero sair da cama", desabafa.

A profissional possuía uma vida bastante ativa antes da pandemia. Sua rotina envolvia viajar a trabalho, levar o filho à escola, manter a casa em ordem, além de fazer academia e ioga. Agora, todas as atividades que ela desempenha se limitam ao ambiente domiciliar, fato que torna o seu dia a dia repetitivo.

"A pandemia chegou e mudou a minha vida por completo, principalmente porque também levou o meu tio logo no início, em abril do ano passado", acrescenta, referindo-se ao empresário Paulo Monteiro, o Boca, que morreu aos 42 anos, vítima do novo coronavírus.

Desde então, Mariane começou a apresentar uma sensação de esgotamento que persiste até hoje. "Além de mudar o jeito de fazer as coisas, eu deixei toda a minha vida social de lado", comenta.

Com isso, precisou trocar o medicamento que já tomava antes da pandemia e fazer terapia. "Apesar de eu vivenciar alguns dias difíceis e já estar esgotada com essa situação, houve certa evolução", reconhece.

'CHORAR SEM PARAR'

A jornalista Ieda Rodrigues, de 49 anos, também resolveu procurar ajuda profissional. Em home office desde o início da pandemia e cumprindo à risca o isolamento, ela se viu em uma situação de alerta. "Há dois meses, eu comecei a chorar sem parar e a ter pensamentos negativos envolvendo a possibilidade de nós não sairmos deste cenário de morte, doença e fome", relata.

Ao perceber que começava a perder o controle da situação, afinal, também apresentava alguns sinais físicos, como a respiração ofegante, Ieda começou a selecionar as notícias que lia ou assistia. "E eu resolvi voltar a fazer algumas coisas, entre elas, ir ao dentista e à Ceagesp, mas com todo o cuidado possível", ressalta.

A terapia também tem ajudado a jornalista. "A terapeuta me ensinou a fazer exercícios de respiração, além de atividades que me dessem algum prazer, como pintar mandala, ouvir música e observar o céu".

Apesar de ainda estar exausta com a pandemia, Ieda não mais apresentou episódios de tristeza profunda e choro. "Não acredito que esses sinais estejam relacionados apenas ao fato de eu morar sozinha, mas de ver o sofrimento das pessoas", relata, complementando que também adotou o gato Miró, com quem divide as angústias e alegrias do dia a dia.

FALTA DE PERSPECTIVA

Um estudante de Publicidade e Propaganda de 27 anos, que preferiu ter a identidade preservada, também tem sofrido. "Eu participava de tudo o que conseguia antes da pandemia", comenta. Com a quarentena, ele foi obrigado a mudar a sua rotina drasticamente e revela que a falta de perspectiva para o fim dessa situação o deixa ainda mais ansioso.

"No início da pandemia, eu atuava como técnico de laboratório do Hospital Estadual, saía para trabalhar e gostava de reservar os dias de folga para o meu descanso. Agora, que optei por me dedicar à carreira de publicitário, estou em home office e faço aulas online, descreve.

Tamanho isolamento, segundo o estudante, chegou a prejudicar o seu sono. Contudo, hoje, ele relata estar descobrindo certo prazer em ficar em casa.

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