Aos 68 anos o astrônomo e matemático deixou sua Florença para enfrentar um infame julgamento, até o tribunal da Santa Inquisição, diante do qual teria de negar sua tese de que a Terra gira em torno do Sol e não o contrário, como se acreditava.
A Itália estava assolada pela peste negra, o que o obrigou a vinte dias de quarentena. Aliás, esse isolamento nos leva também a vivermos assim, e conhecemos bem o que significa...
Galileu não era amante só números, mas da poesia também, e nas horas vagas tocava alaúde e conforme seu biógrafo era um poço de vaidade e gostava de divulgar suas idéias, o que seria sua ruína.
Criou o tataravô dos telescópios, com a finalidade de observar o céu, descobriu satélites de Júpiter, proclamou que a lua tinha montanhas, viu que Vênus tinha fases e que a Via Láctea continha milhões de estrelas. Revelações fascinantes que equivaliam a brincar com fogo na atmosfera repressiva da contrarreforma.
No julgamento em 1633, teve que negar suas convicções, o que não era covardia, mas imperativo de vida ou morte, e foi condenado à prisão domiciliar até o fim da vida...
Em 1992, após 350 anos, o Papa João Paulo II reconheceu que Galileu estava certo.
Que seu exemplo sirva de alerta contra os perigos do mais novo negacionismo.