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Leis do barulho

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Uma vez alguém disse: "Se a Lei prevê o crime é porque ele pode ser praticado". Então lá vai: Lei do Silêncio, Lei contra perturbação do sossego público, Lei que proíbe alteração em escapamentos de veículos, Lei que regulamenta a poluição visual, do ar e sonora e uma infinidade de outras leis previstas que só existem no papel. O problema não é a lei em si, mas a falta de punição mesmo quando se constata a infração.

Algumas discussões e criação de leis ficam por conta dos Municípios, e aí, cada um estabelece o que lhe convém. Proibição dos fogos de artifícios com estampidos, proibição do uso de animais em circos, proibição da realização de rodeios, etc., são apenas alguns casos que demonstram a falta de educação do ser humano. Falta qualidade na Educação escolar e a falta de educação das pessoas é o que leva a essas discussões que, teoricamente, seriam desnecessárias se fosse possível uma sociedade preparada para viver o coletivo.

Fogos de artifícios e escapamentos barulhentos em motos têm sido os alvos mais recentes das discussões. No caso dos fogos, há quem defenda sua manutenção, considerando os prejuízos econômicos às empresas fabricantes e aos vendedores. Por outro lado, os que se posicionam contrários ao barulho provocado por esses fogos, apresentam uma infinidade de situações em que eles são prejudiciais. Os diretamente afetados com o barulho são as crianças, os idosos, os animais e todas as pessoas de bom senso. Isso seria suficiente para acabar com a existência dos fogos barulhentos.

No caso das motos e veículos que infernizam no trânsito, quem se incomoda são as pessoas comuns, os idosos, as crianças e os animais. É, portanto, a grande maioria da população. Isso também seria suficiente para acabar com o problema. Esses assuntos tem que ser resolvidos onde eles começam a existir. Como? Impedindo a fabricação de fogos e de escapamentos barulhentos. Mais aí acaba com as empresas. Não, se houver interesse por parte dos Governos em encontrar uma solução para as empresas que atuam nessas áreas. Utopia? Sim. É óbvio que o dinheiro sempre vai estar em primeiro lugar. É assim que vive o mundo capitalista. Mas, poderia ser diferente se não existissem interesses escusos.

Diante disso, surgem calhamaços de leis inócuas para regular uma sociedade onde prevalece a insensatez. Educação e respeito faltam para as pessoas que se colocam acima de tudo.

A autora é jornalista, colabora com Opinião.

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