Tel Aviv - Um capítulo importante da história de Israel está prestes a terminar. A era de Binyamin "Bibi" Netanyahu, 71 anos, o mais longevo primeiro-ministro do país, deve chegar ao fim após 12 anos consecutivos - ou 15, se somado o período em que ele também foi premiê na década de 1990.
Se tudo acontecer como previsto, o Parlamento aprovará neste domingo (13) a formação de uma coalizão sem o partido conservador Likud, do qual Bibi faz parte, o que representaria o fim do nó que levou Israel a quatro eleições em pouco mais de dois anos e a um impasse político sem precedentes no país.
Na sexta-feira (11), os oito partidos que compõem a coalizão, liderados pelo direitista Naftali Bennett, 49 anos, e o centrista Yair Lapid, 57, anunciaram seus acordos de princípios, abrindo caminho para a votação.
Mas a mudança será tão estrondosa que há quem só acredite vendo, até porque Netanyahu passou os últimos dias tentando minar a votação. Ao líder do partido de centro Azul e Branco, Benny Gantz, por exemplo, prometeu o posto de premiê caso ele desistisse de apoiar a coalizão. Gantz, que no ano passado se rendeu a tentação similar e se uniu a um governo no qual foi constantemente ignorado, recusou.
E o que de fato mudará na era pós-Bibi? Como será a política em questões controversas, como as negociações de paz com os palestinos, o relacionamento com o mundo árabe, a flexibilização das conversões ao judaísmo e os direitos da comunidade LGBTQ ? A resposta, ao menor por enqianto, é uma incógnita, porque Netanyahu foi atropelado por uma união de forças de um amplo espectro político - da direita nacionalista à esquerda radical, passando pelo centro e pela minoria árabe.