Esportes

'Quero jogar aos 100 anos'

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Ele nunca pendurou a raquete desde que ingressou no tênis em 1964, aos 34 anos. Idade um pouco tardia para começar um novo esporte do zero, diriam alguns, mas para ele não há momento certo ou errado para iniciar o que gosta e o que proporciona bem-estar. Hoje, aos 91 anos, devidamente imunizado contra a Covid-19, Antônio Demerval Belgo só quer ser feliz, dentro de uma quadra de saibro. Ele é uma referência para quem gosta, acompanha e entende de tênis na cidade.

Bauruense e descendente de italianos, Belgo atribui a sua energia e longevidade esportiva a quatro detalhes importantes, um deles seria a genética familiar, mas não sendo a principal, porque o que faz a diferença para ele nestas nove décadas é o fato de nunca ter fumado, consumido bebida alcoólica e se exercitar todos os dias.

Belgo recorda que na infância e adolescência praticava futsal e futebol, tendo, inclusive, feito partidas amistosas no antigo campo do Bauru Atlético Clube (BAC) com Pelé. Aos 18 anos passou a praticar boxe também, tudo de forma amadora. O trabalho mesmo era na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). E lá nasceu a paixão pelo Esporte Clube Noroeste e pelo Corinthians. Em 1964, aos 34 anos, foi influenciado a ingressar no tênis do Bauru Tênis Clube (BTC) pelo amigo e renomado tenista Roberto Cardoso, um dos maiores do País e que já representou Bauru no Grand Slam de Roland Garros. Cardoso morreu em 2016, aos 88 anos e com 100 títulos no currículo.

"Aprendi o tênis muito rápido, porque sempre fui um esportista. Tive facilidade. Naquela época haviam poucos professores e aprendi na prática com os amigos. Disputei competições e fui campeão de alguns torneios", diz Belgo, modesto, se referindo a dois Sul-Americanos da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Pela entidade máxima do esporte, na divisão dos veteranos, ele disputou diversos circuitos internacionais, inclusive após os 85 anos, sempre enfrentando jogadores mais jovens, de até 79. Por volta dos 40 anos começou a dar aulas de tênis e formou dezenas de alunos de Bauru e região, sempre no BTC. Belgo fez parte da diretoria que adquiriu cinco alqueires e começou a construir a sede de campo do Bauru Tênis Clube, em 1972. História que ele faz questão de lembrar. Vivos, estão apenas ele e Paulinho Casério.

REPERTÓRIO

O tênis fez Belgo visitar e conhecer 73 cidades. "Ainda me deu a felicidade de jogar nos Estados Unidos, com a minha família. Em 1995, fui campeão Sul-Americano de duplas ao lado de Cláudio Sacomandi, em Punta del Este, no Uruguai. Vencemos, na época, duplas difíceis do Paraguai, Chile, Uruguai e da Argentina. Mais tarde, voltei a ser campeão Sêniors Sul-Americano, em Brasília. Fui campeão ainda em torneios de tênis em Araçatuba, Itapetininga e em Lins, onde também dei aulas de tênis por alguns anos", recorda o tenista, ex-treinador e ex-técnico.

Os empecilhos de qualquer atleta, amador ou profissional, são as lesões. Belgo ignora a dor no ombro, usa um tensor para poder executar as raquetadas, e as panturrilhas, que já não têm a mesma massa muscular da juventude, são reforçadas também com suportes. Ele ainda, vez ou outra, faz fortalecimento e fisioterapia para não ficar muito tempo longe das quadras.

META

Para quem já criou duas filhas, viu crescer netos e bisnetos, agora a meta dele é jogar tênis aos 100 anos. "Neste esporte, e na minha idade, não importa se vai ganhar ou perder, o que vale a pena é fazer amigos. Quero, sim, comemorar com eles o meu centésimo aniversário jogando tênis aqui no BTC", finaliza.

 

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