A situação da Saúde de Bauru continua grave e as estatísticas, mais uma vez, apontam que a pandemia do novo coronavírus na cidade ainda está longe de ser superada. Na semana passada, a média móvel de novos casos de Covid-19 bateu novo recorde, chegando a 306,8 registros diários, o maior índice desde o início da crise sanitária.
O número de mortes também continua elevado, chegando a 52 óbitos na última semana - média de 7,43 registros por dia. Trata-se da segunda maior taxa de letalidade toda a pandemia, inferior somente à média de 8,14 mortes diárias, registrada no início de abril deste ano. Naquela semana, do dia 5 a 11, foram registradas 57 vítimas fatais.
Para o secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, o agravamento é resultado da chegada da terceira onda da pandemia, caracterizada pela presença de variantes do novo coronavírus mais transmissíveis e potencialmente mais agressivas. "Está aumentando o número de casos e, como os doentes são pacientes mais jovens, eles tendem a resistir mais e isso, na prática, significa maior tempo de internação nas unidades de saúde. Isso já está acontecendo em várias cidades", frisa.
Para se ter ideia, das nove mortes confirmadas nesta segunda-feira (14) pela prefeitura, oito eram de moradores entre 38 e 62 anos e um de 92 anos (leia mais abaixo). Vale lembrar que, desde o início da vacinação, a morte de pessoas idosas vem registrando quedas sucessivas.
Em dezembro do ano passado, por exemplo, 38% do total de mortos possuía 80 anos ou mais. Já em maio de 2021, o índice caiu para 11,3%. Da mesma forma, em janeiro deste ano, 43,6% das vítimas fatais da Covid-19 tinham entre 70 e 79 anos, público que correspondeu a 10,6% dos mortos agora no mês de maio.
COLAPSO
O ritmo de vacinação, contudo, ainda continua lento, com apenas 15,5% da população imunizada com as duas doses. Ao JC, a Secretaria de Saúde antecipou que pretende corrigir o problema nas próximas semanas (leia mais na página ao lado).
Também é um grande desafio minimizar o impacto dentro das unidades de saúde em meio à escalada de casos. Somente na primeira metade deste mês, já são 3,7 mil casos positivos de Covid-19, com 75 mortes.
De acordo com o secretário de Saúde, como a maioria dos internados é de pacientes mais jovens, quando o quadro de saúde se agrava e há necessidade de internação, o tempo de permanência nas unidades tende a ser maior, porque são pessoas mais resistentes. "Agora, o PAC está lotado, as UPAs estão com pacientes internados, alguns deles intubados, aguardando vaga, mas não há vagas. Da mesma forma, o Hospital Estadual e o HC estão lotados. Conseguimos enviar um paciente, enquanto 10 precisam da vaga", lamenta, reconhecendo que, enquanto permanecem nas UPAs, os pacientes graves não têm acesso a todos os recursos disponíveis na medicina para tratar a doença.
Nesta segunda, a taxa de ocupação das UTIs Covid do HE e do HC era de 107% e havia 73 pacientes em unidades de urgência e emergência da rede municipal aguardando internação, sendo 43 com suspeita ou confirmação de Covid-19.