Polícia

Jogo do bicho: MP 'asfixia' bens de grupo que atua há 10 anos em Bauru

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

O Ministério Público (MP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu ao Poder Judiciário de Bauru, nesta quarta-feira (16), denúncia contra um grupo que explora o jogo do bicho há pelo menos 10 anos no município e em cidades da região. Esta foi a última fase da Operação Sunset, deflagrada em novembro do ano passado e que visou 'asfixiar' o patrimônio financeiro dessa organização e de outras duas de Marília, das quais as denúncias já foram enviadas.

De acordo com os promotores do MP, como o jogo do bicho premia os jogadores diariamente, acaba exigindo que os administradores tenham um alto capital de giro. Por isso, a estratégia foi 'secar' esse patrimônio usado para movimentar o dinheiro, por meio do sequestro de bens, apreensões e bloqueios de contas bancárias, e, assim, interromper a atividade criminosa.

A operação inteira envolveu quatro anos de investigações, que incluíram quebra de sigilo bancário de mais de 30 contas diferentes e interceptação telefônica.

ÚLTIMO BANDO

Nesta última fase da Sunset, que focou o grupo de Bauru, foram denunciados os cinco principais administradores da rede (os nomes não foram divulgados pelo órgão), sendo que quatro residem em Ibitinga e outro em Borborema.

Também foi constatado, segundo o Gaeco, que essa é a maior organização de exploração de jogo do bicho em Bauru, com atuação também em diversas cidades da região, como Ibitinga, Borborema e Itápolis.

Inclusive, de acordo com o MP, existe a suspeita de que eles comandam praças em, ao menos, 300 cidades paulistas. Conforme o JC já publicou, apenas em Bauru, somente esse grupo seria responsável por cerca de 50 pontos de jogos em bares e imóveis de fachada.

"Essas organizações são familiares, que passam de pai para filho. Acreditamos que essas mesmas pessoas estejam em atuação em Bauru há, pelo menos, 10 anos", informa o Gaeco.

METODOLOGIA

Para dar vazão aos lucros, o grupo usava diversas metodologias de lavagem de dinheiro, como imóveis, propriedades rurais (sítios e fazendas) e suas respectivas produções, automóveis de luxo, empresas de fachada e a transferência bancária de quantias fracionadas para não chamar a atenção dos órgãos reguladores.

Durante a fase operacional da Sunset, em novembro de 2020, o Gaeco angariou mais de R$ 10 milhões em bens, dentre imóveis, sítios, fazendas, atividades rurais e comércios de fachada, automóveis, sendo alguns de luxo, e dinheiro em espécie.

Além do grupo de Bauru, outros dois bandos que exploram o esquema ilícito em Marília, identificados durante as investigações, foram denunciados ao Poder Judiciário. Agora, se a Justiça aceitar as denúncias, as 14 pessoas apontadas em toda a Operação Sunset se tornarão réus em ação penal.

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