O ano de 2021 marca a impossibilidade da realização das festas juninas, mais uma vez, em decorrência da pandemia. A celebração incorpora a tradição brasileira e costuma reunir famílias inteiras e suas comunidades. É um momento de construção e fortalecimento de laços afetivos, além de quebrar a rotina do trabalho pelo lazer. Estas informações foram retiradas do Jornal da USP.
O calendário brasileiro é pautado pelas festas, que funcionam como um alívio da rotina em que vivemos. É uma forma de escapar da linearidade do trabalho. “Muito do que está acontecendo agora faz com que nos sintamos perdidos, nos sintamos engolfados novamente pelo trabalho, nós sentimos muita falta das marcações das festas, de nos prepararmos para as festas, nos deslocamos para o Natal em família, nos reunirmos com a família no São João ou com amigos”, argumenta a antropóloga Denise Pimenta, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
“A nossa marcação temporal ficou com a marcação do trabalho. Para além do São João, o nosso ano é como se tivesse sido amassado. Os ápices seriam as festas que marcam o nosso ano. É como se tivéssemos entrado numa linha reta. Trabalho. Porque não temos nenhuma marcação, e pela segunda vez sem o São João só reforça isso”, compartilha Denise.
Além da importância da recreação, da geração de renda e empregos, as festas juninas também são cenário político no País. É o local onde as figuras públicas se aproximam da população e buscam angariar votos para as eleições. “No Brasil, existem dois momentos muito importantes para ganhar votos e fazer o ritual da mise-en-scène política, que são as festas populares. Vejo o São João como a maior força política, assim como a festa da padroeira do Brasil, que é Nossa Senhora Aparecida, e a Semana Santa, também marcada por figuras políticas. Não é estranho isso, pelo contrário, é um dado. O São João é o lugar da simbologia da roça, do cultivo e da família, mas também é esse lugar do ritual político”, explica a especialista.