Apesar de ainda sofrer com os efeitos da pandemia do novo coronavírus, Bauru deverá registrar 10% de aumento no consumo em 2021, na comparação com o ano passado. Segundo a pesquisa IPC Maps, que traçou o mapa do potencial de consumo dos municípios brasileiros para este ano, os moradores da cidade deverão gastar R$ 1,106 bilhão a mais para aquisição de produtos e serviços, reforçando a possibilidade de um horizonte não muito distante de retomada da economia.
Até o fim do ano, a projeção é de que os bauruenses desembolsem R$ 11,668 bilhões, 10,47% a mais do que os R$ 10,562 bilhões contabilizados em 2020. No estudo, elaborado pela empresa especializada em informações de mercado IPC Marketing, Bauru aparece como a 17.ª cidade com maior poder de consumo no Estado e a 56.ª no Brasil.
Responsável pelo estudo, Marcos Pazzini explica que esta retomada esperada para o município se estende para o cenário nacional, dentro de uma perspectiva de recuperação da atividade econômica proporcionada pelo avanço da vacinação da população contra a Covid-19. Conforme a pesquisa, a projeção de R$ 11,668 bilhões é bastante próxima à registrada em 2019, período anterior à pandemia, quando o potencial de consumo da cidade foi calculado em R$ 11,282 bilhões.
"O crescimento de 10% é nominal, ou seja, incluindo a inflação. Se a inflação ficar em torno de 5%, ainda teremos um aumento real do consumo na ordem de 5%. É um resultado bastante positivo e a expectativa é de que 2022 seja ainda mais forte", detalha. Em 2020, Bauru havia registrado queda de 6,4% do potencial de consumo na comparação com 2019.
CATEGORIAS
No levantamento, que cruza dados do Produto Interno Bruto (PIB), população e renda das famílias, são analisadas as principais categorias de produtos, que incluem alimentos, artigos de limpeza, mobiliários e vestuário, além de despesas com transporte, saúde, educação, recreação e habitação. Em Bauru, este último item, que incorpora despesas com aluguel, luz, água, gás, telefone, Internet, TV a cabo e pequenos reparos domésticos, deve ser o que mais irá corroer a renda do bauruense em 2021 - a expectativa é de que o montante chegue a R$ 3,286 bilhões.
Na sequência, aparece alimentação dentro e fora de casa (R$ 1,444 bilhão) e, em terceiro lugar, gastos com veículo próprio, que incluem custos com aquisição, manutenção e combustível (R$ 1,262 bilhão). "Interessante que, até 2018, a despesa com veículo próprio não tinha destaque. Ela passou a ter relevância pela perda de empregos ou necessidade de complemento da renda, com pessoas comprando carros para transporte de passageiros por aplicativo ou motos para trabalhar com delivery", detalha Pazzini. Nenhuma das categorias listadas pela pesquisa registrou projeção de queda para este ano (confira os valores na tabela).