Bauru ultrapassou nesta segunda (21) a marca trágica de 1 mil moradores que perderam a vida para o novo coronavírus. São 1.009 pais, mães, filhos, avós, amigos, profissionais das mais variadas áreas, aposentados, amores de tantos outros milhares de bauruenses que precisam viver, hoje, lidando com tanta ausência.
E o número ganha contornos ainda mais tristes porque é alcançado em um momento de nova escalada de casos no município, no 14.º mês de pandemia, em meio à circulação de inúmeras variantes do vírus e lotação de leitos de UTI destinados a pacientes com a doença. Mesmo antes do encerramento do primeiro semestre, este ano tem sido, de longe, muito mais letal na comparação com o ano passado.
De janeiro para cá, foram contabilizadas 710 mortes, ante a 299 registradas de abril a dezembro de 2020. Foi particularmente em 2021 que os bauruenses começaram a ver famílias perdendo vários entes queridos com poucos dias de diferença. Com frequência, as redes sociais de conhecidos se assemelharam a obituários.
Os dados compilados pela prefeitura mostram que a doença, até agora, foi mais letal para os moradores de 60 a 69 anos, faixa que correspondeu a 243 vítimas (média de um a cada quatro óbitos), sendo 128 homens e 115 mulheres. Na sequência, estão a faixa de 70 a 79 anos (226 mortes) e de 50 a 59 anos (179 óbitos).
A elevação das mortes foi acompanhada da maior concentração de casos neste ano: das 49.484 infecções desde o início da pandemia, 28.760 (58%) foram notificadas em 2021. E, apesar do avanço - ainda que tardio - do processo de vacinação, a crise sanitária parece longe do controle, conforme os números de Bauru revelam.
FILA POR VAGAS
Junho ainda não terminou e já detém o maior número de casos de Covid-19 registrados em um mês: são 5.889 bauruenses com infecção confirmada por exames até o dia 21. Trata-se do quarto recorde consecutivo, que vem sendo batido desde março.
Os 29 leitos de UTI Covid-19 disponibilizados no Hospital Estadual (HE) no início da pandemia foram insuficientes para atender a demanda crescente de pacientes infectados por uma doença altamente transmissível, mas que foi e ainda é desprezada por parte da população. A despeito das fiscalizações, as aglomerações e festas clandestinas jamais deixaram de ocorrer na cidade, mesmo quando as atividades econômicas estavam sob restrições rígidas na tentativa de conter o avanço do vírus.
Conforme o número de doentes se multiplicou, a demanda por leitos hospitalares também cresceu. Hoje, inclusive por intervenção judicial, são 70 vagas no HE e no hospital de campanha instalado no Hospital das Clínicas (HC) e, ainda assim, a ocupação segue acima de 100%, índice que tem sido alcançado na maioria dos dias desde o início de fevereiro.
Sem leitos, muitos pacientes morreram sem ter acesso ao atendimento complexo que um hospital pode oferecer. Dos 710 que perderam a vida em 2021, mais de 100 estavam nestas circunstâncias, em unidades de urgência e emergência da rede municipal de saúde, que também seguem lotadas.