Caramba, a semana já começa triste, imensamente triste. Pela manhã recebo mensagens pelo whats de que Antônio Pedroso Junior, ou Chinelo, como ficou popularmente conhecido, havia morrido. Sim, sei que a morte é inevitável e todos nós a encontraremos um dia, querendo ou não, mas a sucessão de perdas atuais está imensa e incomensurável.
Pedroso já era um veterano na faculdade quando iniciei meus estudos em direito na ITE e minha militância política estudantil. Passei a admirar aquela figura que falava aos estudantes com a autoridade de quem conhecia bem os horrores da ditadura, pois, seu pai, liderança ferroviária e antigo militante de esquerda, fora perseguido e preso pelos algozes do regime autoritário. E Pedroso seguia seus passos, tornando-se também uma liderança entre os estudantes.
Possuidor de uma memória prodigiosa, aliás, característica que herdou de sua mãe, dona Alzira, pessoa encantadora, Pedroso, assim como ela, era capaz de passar horas contando histórias, com riqueza de detalhes. E não foi por acaso que tornou-se o grande memorialista das lutas da classe trabalhadora e de seus militantes, com diversos livros sobre o assunto, cujas pesquisas tornaram-se referência para quem quer conhecer um pouco mais deste período dantesco de nossa história.
E foi graças à leitura do livro "Subsídios para a história da repressão em Bauru", organizado por ele no final dos anos 70, como parte da campanha pela Anistia, que buscava trazer de volta ao país centenas de brasileiros que foram obrigados a viver no exílio, que pude conhecer e conviver com o velho camarada Alberto de Souza, de quem Pedroso e seu pai eram amigos. Com muita felicidade, tive a honra de ter o livro que publiquei sobre o camarada Alberto de Souza, prefaciado por ele.
Polêmico muitas vezes, solidário sempre, mantinha uma relação afetiva com seus amigos que não permitia meio termo e fico feliz de tê-lo como amigo até o fim. O mais incansável contador de história se vai, deixa seu legado, seus livros e sua própria história como exemplos, mas sem dúvida, sua ausência deixará as conversas de boteco menos divertidas e saborosas.
Companheiro Pedroso, presente!