Cultura

Curta mostra campanha de artistas para arrecadação de alimentos

Estadão Conteúdo
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Em um momento delicado, como a pandemia, o maestro Gil Jardim, diretor artístico e regente titular da Ocam, Orquestra de Câmara da ECA-USP, vem dando enfoque à consciência social durante a pandemia. No segundo semestre de 2020, chacoalhou os brasileiros com o vídeo "Inumeráveis". Naquele momento, apontava que os mortos pela Covid-19 não eram apenas números, mas pessoas.

E agora vai ainda mais fundo, com "Olho da Rua", um curta de menos de 8 minutos que une a Ocam a rappers, slammers, ao Coral Paulistano Mário de Andrade e a performers. Mais que um curta, "Olho da Rua" é o lançamento de uma campanha de arrecadação de doações para alimentação e amparo à população de rua atendida pelo padre Julio Lancellotti, da Paróquia São Miguel Arcanjo, no centro de São Paulo.

Os atores principais são os moradores de rua e o próprio sacerdote. As primeiras palavras são dele: "Não trabalhamos com a população de rua. Convivemos com ela. E a nossa convivência mostra que é uma grande violência viver na rua". Em seguida, acentua: "Fique em casa. Onde é a casa do morador de rua? Lave as mãos. Onde? Use álcool em gel. Como?". E conclui: "O distanciamento social talvez seja o mais natural, porque todos mantêm distanciamento social de quem vive na rua".

Cenas rolam enquanto MCs e slammers improvisam. O rapper Kamau, MC Lucas Afonso e as slammers Luz Ribeiro e Mel Duarte vão direto ao ponto. O coreógrafo Fernando Barcellos é responsável pela direção cênica. Tudo se entremeia com as músicas escolhidas por Gil Jardim, como o Dies Irae, do Réquiem de Mozart, e peças contemporâneas que estão no CD gravado pela orquestra em 2019: Fibers, Yam and Wire, de Alexandre Lunsqui; A Menina que Virou Chuva, de Valéria Bonafé; e A Escuridão, o Corpo Vermelho e o Fascínio, de Yugo Sano Mani. "Dies Irae", Dia da Ira em português, do Réquiem em Ré Menor, K. 626, de Mozart, foi gravado especialmente para esse vídeo com os músicos e cantores captando suas participações com celulares.

'NÃO DISCRIMINE'

Padre Lancellotti ainda comenta sobre a primeira ajuda que, segundo ele, todos podem fazer. "Não discrimine, não tenha preconceito, não seja cruel, não fale contra a população em situação de rua. Se aproxime, olhe, dê uma palavra, ofereça um pouquinho de água pro catador, seja humano".

Por fim, o padre, que dedica sua vida à população de rua de São Paulo, conclui que "a misericórdia, a compaixão, a solidariedade não são dimensão religiosa, são dimensão humana". A produção pode ser conferida no YouTube: www.youtube.com/orquestradecamaradaecausp

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