Os termômetros do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) marcaram 3,1 graus às 7h20 desta quarta-feira (30). Trata-se não só da menor temperatura do ano, como também da mais baixa desde julho de 2019, quando a mesma marca foi atingida. Nos dados históricos da estação automática do IPMet, iniciados em 2001, não consta registro inferior a este.
Em algumas áreas baixas de Bauru, inclusive, chegou a gear, segundo o coordenador da Defesa Civil, Marcelo Rial. "Pode ser que, nesta madrugada [de hoje, quinta-feira], nós tenhamos geadas mais fortes em Bauru", alerta.
Apesar de anunciada, a friaca pegou muita gente de surpresa, especialmente quem está em situação de vulnerabilidade social.
É o caso da família Bastos Marcondes, que mora em uma área de mata ocupada nas imediações da avenida José Vitório Dota. O local transpõe o Córrego Barreirinho e interliga o Jardim Flórida ao Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa (Bauru 2000). Eles se viraram como puderam.
Sem TV, celular ou outro meio de comunicação, a catadora de recicláveis Érica Cristina Bastos, de 41, que mora há quatro anos em um barraco por lá, conta que não esperava o frio intenso da noite de terça (29) e madrugada de quarta (30).
Com apenas um cobertor no barraco para se esquentar, ela vestiu várias peças de roupa, cobriu o local com lonas e tapou os buracos com pedaços de tecido para tentar afugentar a friagem. "O frio dói, é complicado, mas a gente se vira como dá. Até porque a fome sempre doeu também", comenta a moradora, que aproveitava a fogueira da noite anterior para cozinhar a única refeição desta quarta (30) para ela, o irmão, a cunhada e uma vizinha: arroz e feijão.
"Nós estamos todos desempregados e nos ajudamos. A reciclagem ajuda eu e meu irmão a ganharmos uns trocos, mas nada que dê para pagar um aluguel ou ter uma vida melhor", explica Érica, acrescentando que vive com os R$ 150,00 de auxílio emergencial.
O pedaço de terra ocupado por eles ganhou apelido de "chacrinha" e já possui até uma pequena horta com mandioca, mas o produto não é suficiente para a subsistência de todos. "Nós precisamos muito de cestas básicas, um fogão e gás, além de roupas de frio, cobertores e, se possível, materiais de construção para melhorarmos os barracos", pede Érica. Para ajudá-la, basta entrar em contato com o telefone (14) 98813-0581 (Glaucia).
FRIACA
Segundo o meteorologista José Carlos Figueiredo, a onda de frio que castigou especialmente famílias como a de Érica resulta da passagem de uma massa de ar oriunda do Centro-Sul argentino. "A massa está entre o Paraguai, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, mas reflete no Interior de São Paulo", complementa.
Segundo Figueiredo, ela deve se dissipar aos poucos e causar a elevação gradativa das temperaturas. Para esta quinta-feira (1), a mínima prevista é de 6 graus e a máxima de 18.
Já na sexta (2), as temperaturas deverão girar em torno de 10 e 25 graus. No sábado (3), elas ficarão entre 11 e 26 graus. No domingo (4), a previsão é de que variem de 13 a 26 graus.
Não há previsão de chuva, pelo menos, até domingo (4).