O judoca barra-bonitense Rafael Buzacarini, de 29 anos, viaja para Tóquio não só com a esperança, mas com potencial e chance de conquistar medalha nas Olimpíadas. O atleta vai defender a Seleção Brasileira e representar a região de Bauru na categoria meio-pesado (até 100 quilos) individual e ainda integrará a disputa por equipes. Esta será a segunda edição de Olimpíadas de Buzacarini, já que ele esteve na Rio-2016. Na época, um jovem buscando experiência. Os Jogos de Tóquio começam a partir de 23 de julho e ele chega mais maduro. Atualmente, Buzacarini reside na capital paulista, onde defende o Clube Paineiras. Ao JC, ele recordou o seu início nos tatames de Barra-Bonita.
JC - Como o judô surgiu na sua vida e por qual influência?
Buzacarini - Comecei aos quatro anos, por vontade própria, porque quando visitava minha avó havia uma academia perto da casa dela, em Barra Bonita. Mas ninguém da minha família é do judô. Fui o primeiro. O local onde ingressei era a Associação Barra Bonita de Judô, mas hoje não existe mais. Meu primeiro sensei foi Ramez Pestana Jr.
JC - Como foi a transição Interior-Capital?
Buzacarini - Sempre tive bons resultados, mas a partir de certo nível, não avançava mais. E eu queria ser profissional do judô. Então meus pais me trouxeram para São Paulo, apesar de um pouco tarde, aos 20 anos. Fiz três testes no Projeto Futuro e passei. Primeiramente no São Caetano, onde obtive resultados muito importantes. Depois defendi o Vila Sônia e disputei a Rio-2016. Na sequência vim para o Clube Paineiras.
JC - Qual a estrutura que você conta para chegar às Olimpíadas?
Buzacarini - No Paineiras eles têm 10 anos de judô competitivo e uma equipe profissional multidisciplinar, com treinador da parte técnica, preparadores físicos, fisiologistas, nutricionistas e até psicólogos.
JC - Como foi treinar na pandemia e dar um "ippon" na Covid-19?
Buzacarini - No começo foi muito difícil, com os lugares fechando e a gente tendo que ficar em casa. As Olimpíadas se aproximando, na época para 2020, e a gente sem saber o que fazer. Eu treinava dentro de casa com ajuda da minha esposa Íris. Quando houve o adiamento, fiquei aliviado. Até hoje não peguei Covid, acredita? E olha que fiz toda a testagem com frequência.
JC - O que mudou para você da edição dos Jogos do Rio para Tóquio?
Buzacarini - Estou mais experiente. Há cinco anos eu era um garoto ainda.
JC - Como está a expectativa para a competição?
Buzacarini - Estou muito feliz por representar o Brasil mais uma vez. Foram muito importantes esses cinco anos de trabalho. Esses Jogos vão ser diferentes, de superação. Tenho certeza que nessa reta final eu vou continuar trabalhando duro para poder chegar a Tóquio bem preparado e realizar o meu sonho, que é trazer uma medalha para o Brasil.
A prioridade do judoca é o individual até 100 quilos, mas ele também integrará a equipe até 90 quilos, como suplente. Ele, assim como outros atletas olímpicos, foi vacinado recentemente contra a Covid-19.