Cultura

Uma década no compasso da dança

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Foram anos de aprendizagem, ensaios e apresentações nos palcos, não só de Bauru, mais de outras cidades da região e até de fora do Estado de São Paulo. Em 2021, a Companhia Estável de Dança de Bauru celebra cada passo e compasso de uma década de atividades que consolidaram o nome e o prestígio do grupo.

Criada a partir de um projeto de lei aprovado em 2011, a companhia é um corpo artístico da Prefeitura Municipal de Bauru, gerida pela Secretaria Municipal de Cultura e dirigida por Sivaldo Camargo, que é professor de Ballet, alongamento e produtor, desde os anos 1980.

Desde sua criação, a companhia já foi assistida por um público superior a 17 mil pessoas, passando por aproximadamente 25 cidades em mais de 200 apresentações, acumulando cerca de 25 coreografias. Nestes 10 anos, oito alunos retiraram seu registro profissional DRT e ao menos três alunos conquistaram bolsas de estudos em universidades ou academias de danças internacionais.

Isso porque, além da difusão e circulação de espetáculos, a Companhia Estável de Dança tem mais quatro vertentes de ação: profissionalização de bailarinos, programas educativos, projetos sociais e memória da dança - que consiste na homenagem a grandes nomes do balé de Bauru. Atualmente, o grupo conta com nove bailarinos aprovados através de edital, com idades de 14 a 21 anos, que recebem uma bolsa de R$ 600 e cumprem uma rotina de 20 horas de ensaios semanais.

Em 2012, vieram as primeiras apresentações. "Sentir-se-a", do coreógrafo Arilton Assunção, com balé contemporâneo e "Nuit de Verdi", coreografado por Sergio Bruno com balé clássico autoral. No ano seguinte, "Cores e Gestos", novamente, de Arilton Assunção, ganhou os palcos e "Mascarade", de Eduardo Bonnis, avançou com balé Neo Clássico. "A ideia era que a cia tivesse uma identidade da cidade e não minha. Por isso, sempre presamos pela contratação de coreógrafos que pudessem desenvolver os espetáculos", destaca Sivaldo Camargo.

Mas, foi em 2014 que, pela primeira vez, a companhia se desafiou a realizar uma obra mais longa, com 50 minutos, e que é apresentada até os dias de hoje. "Considero um marco para nós. 'Frida' foi muito bem aceito e o apresentamos até hoje. Este trabalho nos proporcionou conhecimento regional e, desde então, fazemos turnês regionais e conquistando o nosso próprio público", relembra.

Coreografo que mais atuou com a companhia, Arilton Assunção esteve à frente de "Frida", de 2014, e também do espetáculo "Baluarte", com a chegada de bailarinos homens, e "Gestos" no ano seguinte. Em 2015, também foi realizada a peça "Sertaneja", com coreografia de Yola Guimarães.

"É importante citar que, ao logo dos anos de trabalho, contamos com a ajuda solidária de diversos profissionais amigos que nos auxiliaram com figurinos, fotografias incríveis de nossos espetáculos e somos muito gratos a isso", destaca o diretor mostrando as imagens que colorem as paredes do escritório da cia, localizada no Teatro Municipal.

Em 2016, a companhia apresentou "V de Vivaldo", do coreógrafo Luis Augusto Ribeiro e "Grand-pas-de-deux de Copéllia", uma remontagem Sivaldo Camargo. "No ano seguinte, fizemos 'Tropicália Bananas ao Vento', que foi um novo desafio para o elenco, porque contava com textos", recorda Sivaldo.

Recentemente, em 2018 e 2019, as obras "Carmen" e "Morte e Vida Severina", respectivamente, ambas coreografadas por Arilton Assunção, foram aos palcos pela Cia. "'Morte e Vida' foi nosso maior trabalho em termos de entrega. Exigiu muito de técnica e interpretação dos nossos bailarinos e percebíamos como o público saía emocionado do teatro", destaca.

VIRTUAL

Em janeiro de 2020, 'Morte e Vida Severina' foi apresentada pela última vez antes da pandemia, no Curso Internacional de Férias, na cidade de Salto. 'Frida', em Botucatu, em março do mesmo ano, finalizou as apresentações presenciais. Depois, a Cia ainda passou pela experiência de apresentação virtual no Festival de Artes Cênicas de Bauru (Face).

"Íamos aproveitar o centenário de João Cabral de Melo Neto para rodar com 'Morte e Vida', mas não foi possível. No momento, nossos bailarinos estão trabalhando em um projeto do Estado de São Paulo no qual a cia foi aprovada e será virtual", comenta Sivaldo que ainda tem a expectativa de apresentar um trabalho para celebrar os 10 anos da companhia ainda no final deste ano. "Tínhamos vários projetos como exposições, documentário e um livro, mas aguardaremos. Ainda que as apresentações sejam virtuais, gostaríamos de marcar essa data", conclui.

Mais informações sobre a Companhia Estável de Dança pelo https://www.facebook.com/ciaestavelbauru/ e https://www.instagram.com/cia_estavelbauru/

 

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