Diante do atual cenário trazido pelo novo coronavírus, em que as pessoas ficam mais receosas em sair de casa e os comerciantes enfrentam dificuldades para manter seus negócios, a venda de produtos dentro dos condomínios tem se mostrado uma estratégia bem-sucedida. O formato caiu de tal forma no gosto dos moradores que as próprias administrações dos residenciais de Bauru passaram a organizar feirinhas semanais nestes espaços, de modo independente e sem relação com as feiras mantidas pela prefeitura.
O tamanho é menor, mas a gama de produtos comercializados é variada, abrangendo itens como artigos para animais de estimação e artesanatos, até lanches, pizzas, pastéis, espetinhos, churros e sorvetes. Também não faltam as tradicionais barracas com legumes, frutas e verduras.
O Condomínio Quinta Ranieri Green, por exemplo, promove sua feirinha todas as sextas-feiras, do fim de tarde até a noite. "Temos uma lista de feirantes que participam toda semana e de donos de food trucks, que se revezam", comenta o zelador Milton Roberto de Matos.
IMPULSIONOU
De acordo com ele, a iniciativa de criar uma feirinha na área de lazer do condomínio partiu dos próprios moradores, há cerca de dois anos. Com a pandemia, contudo, o serviço foi impulsionado, já que, além de facilitar o acesso a produtos, também proporciona alguma interação entre os moradores, ainda que com o distanciamento necessário. "Além disso, é uma forma de contribuir para o ganho de renda dos feirantes locais. É benéfico para todo mundo", reitera o zelador.
LISTA GRANDE
Já no Residencial Lago Sul, as feirinhas ocorrem duas vezes por semana, nas terças-feiras à noite e aos sábados pela manhã. Segundo Helio da Silva Carneiro, gerente do condomínio, a lista de feirantes cadastrados é grande e há, ainda, muitos outros interessados em começar a vender produtos no local. "Por isso, sempre fazemos um revezamento", afirma, acrescentando que os feirantes também são autorizados a entregar encomendas na porta da casa dos moradores que pedirem.
Proprietário da Brooks Hamburgueria, Arildo Fraga conta que, neste último um ano e meio, já levou seu food truck para ao menos dez condomínios fechados, como o Lago Sul, Quinta Ranieri Green, Spazio e Vila Dumont. De acordo com ele, não há cobrança de taxas para que os estabelecimentos e feirantes possam vender nestes locais, o que é um grande atrativo diante de todas as dificuldades enfrentadas pelo setor durante a pandemia da Covid-19.
"É uma iniciativa que ajuda muito os comerciantes, ao mesmo tempo em que traz comodidade e a possibilidade de um momento de convivência entre os moradores, sejam crianças, jovens ou adultos", comemora o empresário.