Cultura

Marisa Monte lança disco inédito

Marina Lourenço
| Tempo de leitura: 2 min

Em paz com o tempo. É assim que Marisa Monte se vê diante do lançamento de seu primeiro álbum solo de canções inéditas em quase uma década. O disco, no entanto, chega num momento nada pacífico.

Em direção contrária à crescente onda negacionista que se instala no país, a obra propõe o que Marisa chama de "afirmacionismo". Cheio de otimismo, esperança e traços típicos da cantora, "Portas" é um disco produzido durante o caos pandêmico da Covid-19 e lançado na última quinta (1), aniversário de 54 anos da artista carioca, consagrada como um dos maiores ícones da MPB.

Resgatando a famosa serenidade pop de discos anteriores, como "Mais", de 1990, e "O Que Você Quer Saber de Verdade", de 2011, "Portas" traz aquela essência dicotômica de Marisa, com sua ternura robusta já tão estabelecida na carreira, e dispensa grandes ousadias.

Meses após lotar estádios dentro e fora do Brasil com a última turnê dos Tribalistas - a trinca queridinha dos casais apaixonados -, Marisa se despediu das redes sociais e deixou implícito que o tão aguardado solo de inéditas viria em breve, mas manteve o mistério no ar.

Seu plano era gravar em maio do ano seguinte uma série de composições feitas durante o período offline. Mas ela não esperava - é claro - uma pandemia no caminho. Quando o caos chegou foi preciso, então, "recalcular a rota do GPS" e abusar da criatividade, segundo Marisa.

A ideia era produzir uma obra à la artesanal e com uma matriz sonora orgânica, repleta de arranjos instrumentais gravados em conjunto. Contudo, a nova realidade forçou o plano a sofrer adaptações.

Se antes da pandemia Marisa desejava ir à Nova York coproduzir "Portas" ao lado de Arto Lindsay - o mesmo produtor de "Mais", de 1990, e "Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão", de 1994 -, por exemplo, já não era mais o ideal a ser feito.

Foi aí que as videochamadas tão marcantes de 2020 se tornaram uma chave essencial para o novo álbum. "Eu achei que a gente não tinha muito a perder e deveríamos tentar uma gravação remota, apesar de todas dificuldades." Marisa, no Rio, e Lindsay, em Nova York, organizaram duas bandas e foram testando as melhores maneiras de unificar as sonoras. 

Em meio a esse método de gravação, que é novo na carreira de Marisa, surgiram novas composições para o álbum, todas carregadas de muitas emoções pandêmicas. Marisa conta que ela e Marcelo Camelo compuseram juntos três das 16 faixas do disco mascarados ao ar livre.

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